Histórias das praças da Alfândega, Deodoro da Fonseca (Matriz) e Montevidéu se misturam com a história da própria Porto Alegre
Nesta segunda-feira, 26 de março de 2012, Porto Alegre completa 240 anos de fundação. Para homenagear a capital gaúcha, que é um museu arquitetônico a céu aberto, oPense Imóveis separou três praças localizadas no Centro Histórico da cidade, cujas histórias se misturam com a história da própria Porto Alegre.
Imagem da antiga Porto Alegre, destaque para o Mercado Público
Praça da Matriz
Conhecida como Praça da Matriz, a Praça Marechal Deodoro está localizada no coração da cidade de Porto Alegre. Na década de 1770, a praça era conhecida como Alto da Praia. Havia poucas edificações ao seu redor e o local não passava de um terreno com declive acentuado, marcado pela erosão, sem arborização ou calçamento.
Entre 1772 e 1773, foi construída, na área da atual Catedral Metropolitana, uma Igreja Matriz, em homenagem a Nossa Senhora de Madre de Deus. Por isso, a área passou a ser chamada de Largo ou Praça da Matriz. A região só ganharia mais destaque em 1858 com a inauguração do Theatro São Pedro.
Em 1874, com a inauguração do gasômetro, a praça recebeu postes de iluminação pública a gás ao redor do chafariz central. Na década de 1880, foram executadas as obras de ajardinamento, arborização e calçamento. O processo de ajardinamento, entre 1881 e 1883, contou 20 oliveiras vindas de Portugal. Por volta de 1912, a praça recebeu um cercamento de ferro e com a Proclamação da República, em 1889, passou a se chamar Marechal Deodoro, denominação oficial que permanece até hoje.
Em 1914, foi inaugurado o monumento em homenagem a Júlio de Castilhos no centro do local, onde anteriormente existia um chafariz. O monumento, criado pelo escultor Décio Villares, foi projetado em forma de uma pirâmide. Nas faces dessa pirâmide foram alinhadas diversas figuras alegóricas para representar a biografia do primeiro presidente republicano do estado.
De 1909 a 1921, foi construído o Palácio Piratini; e, em 1921, foi iniciada a construção da atual Catedral Metropolitana. Nas vizinhanças imediatas da Praça da Matriz ainda se encontram outras edificações históricas como o Solar dos Câmara, o Museu Júlio de Castilhose a Biblioteca Pública do Estado.
Palco de relevantes fatos históricos e de passeatas e manifestações populares, a Praça Marechal Dedoro também é conhecida como a "praça dos poderes". Isso porque, ao seu redor, estão localizados os centros decisórios dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Praça Montevidéu
Endereço do Marco Zero de Porto Alegre, a Praça Montevidéu está localizada de fronte ao Paço Municipal e é delimitada pelas ruas Sete de Setembro, Uruguai e pela Avenida Borges de Medeiros. Sua história começa por volta de 1855. Na época, a área pertencia, em parte, a particulares e foi desapropriada pelo município quando a Rua Sete de Setembro (antiga Rua Nova da Praia) foi regularizada e prolongada.
Em maio de 1901 com a construção e inauguração do Paço Municipal, a área passou a ser chamada de Praça Municipal. O atual nome só foi dado em 1916 quando o Intendente José Montaury pediu autorização à República Oriental do Uruguai para chamar o local de Praça Montevidéu . Em 1927, foram feitos a construção e o ajardinamento de uma elipse verde, obra do Intendente Otávio Rocha.
Em 1935, no centenário da Revolução Farroupilha, a área ganhou uma fonte de azulejos vinda da Talavera, na Espanha, e oferecida à cidade pela colônia espanhola. A Fonte Talavera de La Reina é o que sinaliza o marco zero da cidade. Na Praça Montevidéu também está instalada a placa de Guilherme Villela.
Praça da Alfândega
A história da Praça da Alfândega começa no final do século XVIII e está diretamente ligada ao rio Guaíba e às atividades decorrentes dele. O local, na época, abrigava o antigo porto fluvial da cidade. Em julho de 1782, os vereadores da capital determinaram que fosse construído um cais de pedra junto ao rio para facilitar o embarque e desembarque de passageiros e mercadorias.
Em 1804, o local ganhou um trapiche, considerado uma obra de destaque por suas dimensões: eram 24 pilares de cantaria adentrando o leito fluvial. Nesse período, havia uma pequena praça defronte ao trapiche, junto ao prédio da primeira Alfândega da cidade. Ali, entre barracas dispostas desordenadamente, ficavam comerciantes e quitandeiros e, por isso, o local ganhou o nome de Praça da Quitanda.
Tempo depois, os comerciantes foram transferidos para a Praça do Paraíso, atualmente a Praça XV. Por resistência deles, a Câmara acabou permitindo, de forma transitória, que o lado oeste da praça fosse utilizado como mercado. Daí o nome Praça da Alfândega (muitos logradouros públicos recebiam nomes relacionados às atividades desempenhadas neles).
Em 1866, a Cia Hidráulica Porto-Alegrense instalou um chafariz de ferro bronzeado na praça e a arborização do local foi iniciada com o plantio de nove árvores por empreitada. Logo depois, a praça foi entregue aos moradores do entorno para que eles a ajardinassem e a adornassem, de acordo com a orientação da engenharia pública. Alguns anos depois, o local ganhou bancos e um quiosque.
A Praça da Alfândega é cercada por importantes construções, algumas delas históricas, como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), oMemorial do Rio Grande do Sul, o Santander Culturale o antigo Cine Guarany. Desde 1955, sempre na segunda quinzena do mês de outubro, a praça abriga a tradicional Feira do Livro de Porto Alegre.
Reformas
Atualmente, a Praça da Alfândega está sendo reformada para readquirir as características que possuía no início do século XX. A prefeitura prevê que, até junho de 2012, a recuperação paisagística do local esteja pronta. Devem ser utilizadas 17 espécies de plantas ornamentais com a cobertura de todos os jardins da praça, tendo como referência o paisagismo original.
De acordo com a prefeitura da capital gaúcha, essa recuperação paisagística aos moldes da criação da praça foi possível, a partir da pesquisa realizada em jornais e fotos antigas, como explica a arquiteta Renata Rizzotto. As imagens retratam uma simetria da vegetação com a pavimentação, caminhos laterais com curvas suaves e trabalho em topiaria (arte de podar plantas em formas ornamentais).
Nos canteiros da praça que ficam em frente ao Margs serão feitas bordaduras, uma espécie de cerca viva, com o uso do Buxus, ou Buxinho. Esse arbusto é muito usado para a topiaria, pois sua folhagem verde escura é resistente e se regenera bem das podas, permitindo que sejam feitos desenhos geométricos.
Na parte de baixo da praça será utilizada vegetação de cor prateada, para dar outra tonalidade aos jardins. Quatro canteiros com maciços de flores coloridas darão a ideia de mudança de estações.

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