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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Por que os preços dos imóveis podem ter chegado ao topo

Exame - 

Agência classificadora de risco Fitch descarta bolha imobiliária e crê que preços tenham se estabilizado. Saiba por quê:


Descontada a inflação, alta dos preços foi de 118% no Rio e 92% em SP entre 2008 e 2012

São Paulo – Em relatório publicado nesta segunda-feira, analistas da agência classificadora de risco Fitch dizem acreditar que os preços dos imóveis residenciais brasileiros já tenham alcançado a estabilidade, notadamente em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. De acordo com o relatório, não há uma crença em uma queda de preços no mercado atual, nem na existência de uma bolha imobiliária. Uma queda significativa de preços, porém, é esperada no cenário mais pessimista traçado pelos analistas.

A ideia de uma bolha imobiliária é desconstruída pela Fitch, que justifica a alta estrondosa dos preços dos imóveis brasileiros nos últimos anos com motivos como a estagnação dos preços entre 1995 e 2007, o crescimento da economia brasileira, o crescimento da classe média, a expansão do crédito, a queda do desemprego e o déficit habitacional. O relatório dá, contudo, duas justificativas para basear a crença de que os preços dos imóveis residenciais já tenham atingido o topo:

1. As altas nos preços dos imóveis voltaram a ficar em linha com o crescimento da renda da população, diz o documento. Nos últimos anos, os preços se elevaram acima da renda, tanto em termos nominais quanto reais. “Embora a informação estatística seja limitada e haja uma grande dispersão de preços e rendimentos entre e até mesmo dentro dos bairros, a informação disponível claramente mostra que imóveis de boa qualidade e tamanho razoável no Rio de Janeiro e em São Paulo se tornaram muito caros para a vasta classe média”, diz o texto.

A relação entre os preços e a renda média estimada das famílias é de mais de cinco vezes em São Paulo e mais de sete vezes no Rio de Janeiro, números superiores aos da Europa Ocidental e da América no Norte, diz o relatório. Isso indicaria, portanto, que os preços dos imóveis nessas cidades já estão bem salgados para boa parte da população, obrigada a se lançar a dívidas de longo prazo.

2. O retorno com aluguéis (a renda anual com aluguéis dividida pelo preço de compra do imóvel) está decrescendo em São Paulo e no Rio, o que pode ser uma indicação de que os imóveis estão supervalorizados, “a menos que haja expectativas de maior crescimento na renda ou significativo ganho de capital”, diz o relatório. O documento cita dados da Fipe, que mostram que o retorno dos aluguéis em São Paulo caiu de 0,70% em janeiro de 2008 para 0,50% em julho de 2012; no Rio, nas mesmas datas, o retorno passou de 0,55% para 0,35%.

Tendência é a estabilidade

Mas não adianta se animar achando que isso significa que os preços vão cair e que comprar a casa própria ficará mais fácil. Para os analistas da Fitch, ao menos no médio prazo, os preços parecem ter se estabilizado. Boa notícia para quem é dono de imóveis e não pretende vendê-los em breve – ou quer calma para fazê-lo.

“Embora os preços pareçam caros de qualquer maneira, Fitch Ratings não espera que os preços caiam significativamente em um ambiente econômico benigno, dado o suprimento de médio prazo e os desequilíbrios de demanda”, diz o texto. Outro motivo citado pelos analistas é o fato de as maiores cidades brasileiras ainda terem preços acessíveis quando comparadas a metrópoles como Xangai e Moscou, onde a relação preço/renda é bem maior que a de São Paulo, segundo o relatório.

Forte queda de preços é considerada

Para classificar o risco das transações hipotecárias brasileiras, os analistas da Fitch trabalham com um cenário econômico conservador, em que os preços dos imóveis poderiam cair abaixo dos níveis de 2008. Nesse cenário pessimista, as quedas reais nos preços poderiam superar os 50% em algumas regiões, sacrificando mais o Rio de Janeiro e o Distrito Federal, onde os preços subiram mais rapidamente e são atualmente os mais altos do país.

Neste cenário, uma recessão poderia levar o crédito a secar e o desemprego a crescer, o que elevaria a exposição das famílias brasileiras, hoje altamente endividadas. “Como os compradores normalmente estão entrando em um financiamento imobiliário pela primeira vez, eles podem não se planejar para períodos de rendimentos menores e podem subestimar os custos de manter um imóvel. Em um cenário de recessão com uma alta de desemprego, pode haver uma elevação das taxas de inadimplência e de vendas forçadas, com consequente queda dos preços dos imóveis”, diz o relatório.

Há outros fatores de risco, como o fato de o financiamento habitacional ser concentrado em poucas instituições financeiras, especialmente na Caixa, detentora de 75% deste mercado. Ou mesmo o simples fato de o governo precisar elevar a Selic para ajudar a conter a inflação, o que encareceria o crédito. A alternativa aos recursos da poupança para a concessão de crédito habitacional, a securitização, ainda é um instrumento caro e escasso no Brasil, lembra o relatório.
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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Preço das casas em Portugal recua 7,3% em julho

Folha.com -

 
Em meio à crise financeira, Portugal viu o valor médio de uma casa no país cair 7,3% em julho em relação ao mesmo mês em 2011, segundo dados divulgados hoje (27/8) pelo Instituto Nacional de Estatística, órgão oficial português.

O metro quadrado de uma casa no país valia, em média, 1.033 euros em julho. Em relação a junho, a queda foi de 0,6%.

Na região metropolitana de Lisboa, o valor médio apresentou queda ainda maior, com recuo de 8,5% ante o mesmo período no ano passado.

Com isso, o valor na região ficou em 1.236 euros por metro quadrado.
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Preços dos imóveis vão cair forte após a Copa, diz professor

Infomoney - 

Samy Dana, da FGV, acredita que os preços atuais embutem uma expectativa de que o Brasil dará um enorme salto econômico

SÃO PAULO – Os preços dos imóveis devem ter uma desvalorização severa após a Copa do Mundo de 2014, na opinião do professor da Escola de Economia da FGV (Fundação Getulio Vargas), Samy Dana.

O professor estima que os preços de alguns imóveis nas 12 cidades-sede podem despencar até 50% depois do evento esportivo, principalmente, na cidade de São Paulo. “Sem dúvida, os preços dos imóveis residenciais, mais novos e localizados nas regiões centrais de São Paulo vão cair mais”, destaca.



Algumas regiões vêm recebendo pesados investimentos em infraestrutura, o que, por consequência, valorizaria os preços dos imóveis. Além disso, há quem pense em lucrar com o aluguel de residências para turistas durante o evento.

A demanda por imóveis e por alugueis, de fato, existe, mas Dana defende que os patamares atuais de preços parecem infundados e muito acima do limite razoável.

“Os brasileiros acreditam que todos os problemas de infraestrutura, saúde e segurança do País serão resolvidos nos próximos dois anos, o que valorizaria todos os imóveis”, afirma o professor. “Os preços seguem um sonho, uma crença, não a realidade.”

Inadimplência
E não é somente a ilusão vinculada ao evento que deve puxar os preços para baixo, na opinião de Dana. Como o crédito imobiliário foi dado com mais intensidade entre 2009 e 2010, o ano da Copa pode marcar um período de grande inadimplência no setor.

“Os imóveis começam a ser entregues, surgem outros custos, a pessoa se enforca e fica inadimplente”, explica o professor. Isso, de acordo com ele, desencadearia uma onda de venda de imóveis, contribuindo para derrubar os preços.

Mau negócio
Por conta deste cenário, para o professor, os imóveis não são um bom investimento neste momento. “Quem for comprar para vender, vai perder dinheiro depois da Copa”, acredita.

Como o dono do imóvel não quer perder dinheiro com o negócio, no primeiro momento, ele não reduzirá o preço, mas o problema, segundo Dana, é que o comprador também não vai querer pagar. Conclusão: não há negócio.

“O primeiro sinal não é a diminuição dos preços, mas do número de negócios. A queda é um processo que demora um pouco mais para começar, mas à medida que mais pessoas querem vender, e menos querem comprar, os preços vão caindo”, diz.
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Metade dos escritórios em Alphaville estão vazios, diz consultoria

Folha.com -

 
A taxa de vacância em escritórios corporativos se manteve em 11,9% na cidade de São Paulo, segundo dados da consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle divulgados hoje.

A taxa de vacância é medida a partir do percentual de escritórios vagos em relação ao total em estoque.

Na região da marginal Pinheiros, houve um aumento no número de escritórios vagos, registrando 14% de vacância no segundo trimestre.

Em Alphaville, a taxa é bem mais alta e atingiu 47%.

Segundo a Jones Lang LaSalle, o alto percentual se justifica em razão de espaços entregues no final do ano passado e ainda não absorvidos pelo mercado.

Segundo a consultoria, não foram entregues novos espaços corporativos na cidade de São Paulo no trimestre.
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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cidades-fantasmas indicam bolha chinesa

Folha.com -

Apesar de concentrar 20% da população do planeta e da migração urbana nas últimas décadas, a China convive com enormes cidades-fantasmas.

O fenômeno de milhares de prédios novos e desabitados ocorre em várias regiões e alimenta o debate sobre o excesso de investimento imobiliário como causa de uma bolha prestes a fazer estragos na segunda economia do mundo.

A escala dos empreendimentos vazios impressiona. Só em Chenggong, no sudoeste chinês, são 100 mil apartamentos vazios e uma vasta infraestrutura de universidades, escolas, bancos e até duas estações de trem.

A cidade começou a ser erguida em 2003 para ser um satélite da vizinha Kunming, capital da província de Yunnan. Mas, até agora, nada.
Reuters
Homem anda de bicicleta perto de complexo residencial na cidade de Taiyuan, na China
Homem anda de bicicleta perto de complexo residencial na cidade de Taiyuan, na China


A várias centenas de quilômetros de Yunnan, na desértica Mongólia Interior, está Ordos, a mais famosa das cidades fantasmas.

A expectativa inicial era de que a cidade, cercada por jazidas de carvão e gás, crescesse rápido.

Mas, passados dez anos, a promessa não se cumpriu, e hoje são 300 mil apartamentos e uma vasta infraestrutura para uma população oficialmente estimada de cerca de 30 mil pessoas.

"Os chineses pretendiam manter a migração para as cidades nos próximos 20 anos", diz João Carlos Scatena, especialista em planejamento de transporte, há 7 anos na China como consultor.

"Como a economia desacelerou, não estão conseguindo gerar empregos suficientes para retirar as pessoas do campo, apesar de estarem ainda construindo cidades para isso", afirma.

A anomalia se estende mesmo em áreas próximas a Pequim. Em Tianjin, cidade portuária a meia hora da capital via trem-bala, um novo bairro com dezenas de prédios de escritório está sendo erguido em meio a planos do governo local para criar um polo de empresas do mercado financeiro.
Editoria de arte/Folhapress


Conhecida como Yujiapu, a região ficará pronta em 2019 e terá réplicas de edifícios de Manhattan, incluindo o Rockfeller Center. A um custo estimado de R$ 63 bilhões, o bairro acrescentará mais 9,5 milhões de metros quadrados de escritórios.

A febre de construção também parece ter sido exagerada em Hainan, a ilha tropical no sul do país. Ali, está Phoenix Island, um arquipélago artificial em construção para abrigar um resort, incluindo uma torre de 200 metros. O projeto foi apelidado de "Dubai da China".

EXPLICAÇÕES

Uma das principais explicações para as cidades vazias é a falta de opções de investimento. "Não há outro lugar onde colocar dinheiro, a não ser em propriedade ou sob o colchão", escreveu neste mês o empresário britânico radicado na China Mark Kitto, na revista "Prospect". "O mercado de ações é manipulado, os bancos operam de uma forma não comercial, e o yuan é não conversível."

Kitto prevê que a bolha estourará ou, numa hipótese mais remota, se desinchará lentamente, gerando risco de instabilidade social.

A revista "Economist" tem uma avaliação menos pessimista. Em artigo de maio, avalia que a China não gera "superinvestimento", mas investimento ruim.

A publicação afirma que, apesar dos apartamentos vazios, há uma demanda reprimida e cita uma pesquisa de 2010 segundo a qual o país tinha um deficit de 85 milhões de residências urbanas, com três quartos dos migrantes viviam em desconfortáveis dormitórios das empresas.
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domingo, 19 de agosto de 2012

Para quatro especialistas, imóveis são péssimo investimento neste momento

Infomoney -

Preços demasiadamente altos reduzem o potencial de continuidade da valorização; já aluguel paga menos que a renda fixa

SÃO PAULO - Os preços dos imóveis no Brasil valorizaram 47,9% de agosto de 2010 a junho de 2012, de acordo com o índice FipeZAP, produzido em parceria entre a Fipe e o ZAP Imóveis. A alta valorização chama a atenção, principalmente para quem busca oportunidades de ampliar o patrimônio num cenário de mercado acionário em queda e juros com taxas baixas.

No entanto, especialistas são unânimes em afirmar: neste momento não há como fazer bom negócio com imóveis no País porque já estão muito elevados. "Para mim, nós vivemos uma bolha do setor imobiliário, com preços muito aquém do que os imóveis valem. E preços que não vão se sustentar por mais muito tempo. Sendo assim, a compra de um imóvel nesse momento não é bom negócio, nem para investimento nem para morar", afirma Willian Eid, coordenador do Centro de Estados de Finanças da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas).

Para o coordenador do curso de Real Estate da Poli/USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), João da Rocha Lima Júnior, comprar um imóvel agora é como comprar uma ação em época de alta da Bolsa. "O mercado imobiliário já está precificado. Essa história de comprar e esperar valorizar já não é uma boa opção, e, em minha opinião, nem investimento é. É especulação. Investimento é comprar para alugar, mas isso também não é bom negócio. Primeiro que alugar imóvel residencial no Brasil é muito difícil por causa da lei do inquilinato, que protege muito o locatário, fazendo o risco do negócio ser muito alto para o locador. Além disso, a relação entre valor de aluguel e valor de imóvel é muito ruim no País".

Ambos os especialistas concordam em mais uma questão: os rendimentos da renda fixa são mais vantajosos do que a renda de um imóvel alugado. "Hoje tá valendo mais a pena deixar o dinheiro na renda fixa, principalmente se for a antiga poupança, do que investir em imóveis", diz Eid. Rocha Lima completa: "Não podemos esquecer que imóvel tem custo, corretor, imposto de renda e dor de cabeça, coisas que a poupança não tem. Isso precisa ser muito bem avaliado.”

Comprar para morar

Embora o momento não seja ideal para a compra de imóveis, o professor Willian Eid diz que entende quem deseja comprar um imóvel para morar mesmo nesse cenário. "Aqui no Brasil as pessoas têm necessidade de ter a casa própria. Nem que você prove por A + B que pagar aluguel talvez seja mais vantajoso neste momento, as pessoas querem ter a casa delas e, quando conseguem condições para isso, não avaliam outros fatores", explica.

Para ele, quem tem esse objetivo, mais do que mirar em um bom negócio financeiro, deve se preocupar em encontrar algo que supra as necessidades de toda a família. "É importante observar se o lugar é bom, se no futuro não haverá uma avenida, um viaduto, ou alguma coisa que possa vir a atrapalhar o imóvel. Também é importante caber no bolso. Não acho que feirões tenham boas oportunidades e também não acho que construir seja vantajoso. Eu acredito que hoje, a melhor opção seja encontrar um imóvel usado que atenda às expectativas.”

No entanto, o professor faz questão de frisar: "se a pessoa puder esperar um pouco, eu aconselharia o aluguel agora porque os preços devem começar a cair em breve.”

Samy Dana, PhD em finanças e professor da EESP-FGV, completa: "Atualmente os imóveis não são investimentos. São bens de consumo que devem ser comprados por razões muito diferentes da eficiência financeira, tais como realizar o sonho da casa própria ou a sensação de segurança pessoal que o imóvel próprio pode oferecer.”

Bolha Imobiliária

O educador financeiro Rafael Seabra, em artigo para o portal Quero Ficar Rico, explicou em sete itens como se forma uma bolha imobiliária e porque no Brasil ela pode estar próxima de estourar. Confira:

1) Aumenta a procura por imóveis e o preço sobe.

2) Aumenta o número de investidores que compram imóveis para alugar ou ganhar dinheiro.

3) Os preços começam a subir excessivamente, acima da capacidade de consumo das famílias.

4) O preço chega a um patamar insustentável, afastando potenciais compradores, que passam a considerar a hipótese de alugar imóveis. Com o preço dos imóveis cada vez mais irreal, as pessoas deixam de comprar e passam a cogitar o aluguel. Até porque passa a valer mais a pena alugar do que comprar, financeiramente falando.

5) Os preços dos aluguéis sobem pois a demanda por imóveis do tipo aumenta. Com tanta gente preferindo alugar do que comprar, o preço dos aluguéis disparam.

6) O preço dos imóveis começa a baixar como um todo devido à diminuição da procura. O País ainda não alcançou esse patamar, mas o preço em muitas cidades já começa a subir menos ou mesmo estagnar. Já existem vários indicadores que mostram que a alta no preço dos imóveis novos desacelera em várias cidades.

7) Há uma baixa mais expressiva nos preços dos imóveis pois os investidores começam a tentar vender os mesmos com urgência.

Esse é o ponto que ainda não atingimos e que não há previsão de ocorrer. Vale ressaltar que esse já é o último item para decretar o estouro da bolha. E já percorremos praticamente todo o caminho para isso. O Brasil está em um dos momentos finais dese ciclo: o momento em que as pessoas deixam de comprar imóveis novos para ir atrás de casas de aluguel. É praticamente o último momento antes da bolha imobiliária efetivamente estourar nas regiões metropolitanas.
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Salas comerciais podem ter se tornado mau investimento

Exame - 

Excesso de oferta, precificação incorreta e más perspectivas econômicas podem derrubar a rentabilidade de novas salas comerciais em alguns bairros de São Paulo


Alguns bairros com menos tradição comercial podem ter tido excesso de oferta

São Paulo – Investidores de imóveis comerciais devem ficar atentos e tomar cuidado se pretendem obter uma renda com aluguel ao investir em salas comerciais em alguns bairros de São Paulo. Segundo especialistas ouvidos por EXAME.com, muitas das salinhas comerciais lançadas recentemente podem estar caras e não sustentar os preços dos aluguéis estimados por muito tempo. Lançados em bairros sem tradição corporativa, esses empreendimentos começam a ser entregues a partir da segunda metade deste ano e podem sofrer com um excesso de oferta, conjugado com um cenário econômico que já não ajuda.

Até 2007, o mercado de imóveis corporativos em São Paulo se concentrava no segmento de lajes corporativas de alto padrão, chamadas “triple A” (AAA). De lá para cá, a escassez de imóveis AA ou A, com salas menores, levou as incorporadoras a lançarem um grande número de empreendimentos em bairros sem tradição comercial – predominantemente residenciais até então. Mas o que parecia um bom negócio inclusive para o investidor pessoa física, que investir diretamente nesse tipo de imóvel, pode acabar se revelando um “mico”.

“Especialmente nos anos 2010 e 2011 foram lançados muitos edifícios. Alguns bairros estão inflados, pois não tinham nenhum empreendimento e de repente pipocaram vários, que vão concorrer uns com os outros. Uma boa fatia desses escritórios entra no mercado para locação, e vai haver um provável encalhe em alguns bairros. A consequência é que o preço do aluguel vai cair para se tornar mais competitivo”, explica Luís Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

Os problemas das salinhas

Para João da Rocha Lima, professor do núcleo o de Real Estate da Poli-USP, não só foram lançados muitos empreendimentos como também foram exagerados os preços de venda e os valores estimados dos aluguéis. “Os imóveis foram precificados de acordo com uma expectativa de aluguel muito alta, baseada em um momento em que os preços dos aluguéis estavam no pico”, diz o especialista. Ele se refere aos anos de 2010 e 2011, que serviram como base para estimar o aluguel de boa parte das salinhas comerciais lançadas recentemente.

Segundo ele, os empreendimentos que forem entregues do segundo semestre de 2012 em diante provavelmente estarão caros e com uma precificação de aluguel muito elevada, insustentável no longo prazo. O professor inclusive alertou para a formação de uma bolha das salinhas comerciais em meados do ano passado, em uma carta trimestral do Núcleo de Real Estate da Poli-USP ao público.

Lima explica que, para valer a pena, o investimento em um imóvel comercial deve gerar uma renda com aluguel relativamente estável por um período longo de tempo, que deve ser de pelo menos 20 anos. Ele diz que pode levar até uns 12 ou 15 anos apenas para se recuperar um investimento em uma sala comercial. “Se você considerar as previsões econômicas para os próximos dois anos, você sabe que não vai haver grandes demandas por novos espaços. A tendência é que os aluguéis venham para baixo. Quem está investindo agora está admitindo que o aluguel vai se manter alto nos próximos 20 anos”, diz o professor.

Além da grande oferta, da precificação possivelmente equivocada e do cenário econômico pouco animador para manter patamares elevados de aluguel, há ainda um quarto fator para prejudicar os valores dos aluguéis das salinhas comerciais, e que diz respeito a um risco intrínseco ao negócio. Um edifício cheio de salas comerciais pode não se manter competitivo ao longo de 20 anos, tornando-se ultrapassado frente a empreendimentos mais modernos, ou mesmo passando a receber inquilinos que deteriorem a imagem das demais unidades.

Além disso, são inúmeros os proprietários e os inquilinos, o que torna toda decisão e resolução de problemas mais difícil e pode impactar negativamente na competitividade de longo prazo do empreendimento. “O proprietário não tem domínio sobre a qualidade do produto. O domínio é do edifício. Se houver perda de qualidade do empreendimento, o proprietário é apenas um de centenas de outros. Qualquer questão, inclusive sobre reforma, deve ser resolvida em assembleia”, explica João da Rocha Lima.

Em função de tudo isso, o professor estima uma queda de preços de aluguéis já daqui a uns dois anos. “Se você tem uma onda de baixa ao longo do ciclo de vida, ocorre uma concorrência predatória dentro do próprio empreendimento, fora a concorrência com edifícios da mesma região. As eventuais vacâncias representam custo, sem renda”, lembra.

Para ele, um valor mais justo e rentável do aluguel nas regiões comerciais de São Paulo atualmente giraria em torno de 70 reais o metro quadrado, para um valor de investimento em torno de 6.500 a 7.000 reais o metro quadrado. Lembrando que a rentabilidade de um investimento imobiliário deve ser ao menos superior à poupança: cerca de 0,5% ao mês ou 6% ao ano. “Acontece que houve empreendimentos lançados com expectativa de aluguel de 120, 140 reais. Em áreas mais badaladas, chegaram a mais de 200 reais”, observa Lima.

Os bairros que inspiram cautela

Mas são os bairros sem tradição de imóveis corporativos e comerciais que inspiram mais cautela. O mote desses lançamentos era justamente que os novos empreendimentos comerciais de médio padrão ficassem perto de onde as pessoas moram. Contudo, houve um número expressivo de lançamentos em alguns desses bairros, o que pode ocasionar uma forte queda nos valores dos aluguéis. “O retorno pode cair para uma ordem de 0,5% ao mês, o que, especialmente para este segmento, é baixo”, diz Luís Paulo Pompéia, da Embraesp. Ou seja, algo como um aluguel de 3.000 reais para uma sala de 600.000 reais, o que ele já considera um produto não muito fácil se alugar.

De acordo com o banco de dados da Embraesp, de janeiro de 2007 a junho de 2012, foram lançadas 22.943 salas comerciais em São Paulo com até 100 metros quadrados. Veja a seguir quais os bairros que inspiram mais cautela do investidor, segundo o diretor da Embraesp, Luís Paulo Pompéia, em função do número aparentemente excessivo de lançamentos nos últimos anos:

Pinheiros
Lançados 12 empreendimentos com 1.930 unidades. Pinheiros seja talvez o bairro que mereça mais atenção. Para Luís Paulo Pompéia, haverá problema de liquidez na região por oferta excessiva e preços que ele considera altíssimos: de 16.000 a 19.000 reais o metro quadrado. Além de não ter tradição de escritórios, Pinheiros está relativamente próximo ao Itaim e à região da Faria Lima, muito mais tradicionais. O diretor da Embraesp acredita que a passagem da linha 4-Amarela de metrô pelo bairro e a renovação do Largo da Batata podem estar contribuindo para inflar os preços.

Santana
Lançados 8 empreendimentos com 1.413 salas. Embora os preços estejam dentro da normalidade, entre 4.700 e 9.800 reais por metro quadrado, pode-se considerar um número alto de unidades.

Aclimação
Lançados 5 empreendimentos de 544 salas, com previsão de entrega entre março de 2013 e maio de 2015. “A Aclimação era um bairro predominantemente residencial, sem tradição nesse tipo de empreendimento. Em 2014 pode ocorrer algum excesso de oferta”, diz Pompéia.

Bela Vista
Lançados 4 empreendimentos, um deles na Avenida Paulista, de 653 salas. Apenas um imóvel tem previsão de entrega para janeiro de 2015; o resto já está em vias de conclusão. “Pode ocorrer algum problema de falta de liquidez já neste ano. A região da Paulista já tem uma quantidade expressiva de conjuntos comerciais usados”, diz o diretor da Embraesp.

Brooklin
Lançados 7 empreendimentos, de 1.555 salas. Uma boa parte deles prevista para 2014. Apesar de o bairro, que também é bastante residencial, ter tradição nesse tipo de empreendimento, Pompéia considera a quantidade de lançamentos um pouco acima do normal para a região. “A menor sala tem 23,19 metros quadrados. É uma ‘micro’ sala. Deve ainda ter um banheiro. A maior delas tem 72 metros quadrados”, observa.

Moema
Lançados 8 empreendimentos com 934 salas. “O bairro tem alguma tradição comercial, mas não costumava ter grande número de lançamentos de escritórios pequenos. Então parece ser uma quantidade um pouco alta. E certamente haverá outros empreendimentos no bairro com mais de 100 metros quadrados”, diz Pompéia.

Morumbi
Lançados 4 empreendimentos com 1.291 salas. Não é um número muito expressivo de empreendimentos, mas sim de salas. Há, portanto, uma grande concentração: 270 unidades em um empreendimento, 298 unidades em outro e 500 unidades em outro. Para Luís Paulo Pompéia, essa concentração pode levar a uma certa dificuldade de liquidez.

Perdizes
Lançados 5 empreendimentos de 1.067 salas, a maioria prevista para o período entre agosto de 2013 e maio de 2014. Pompéia considera o número de lançamentos alto para o bairro, embora o preço do metro quadrado não seja tanto, variando entre 6.600 e 10.000 reais. “No começo de 2014 pode começar a ocorrer algum problema de ocupação. Ou será difícil vender, ou será difícil alugar”, acredita.

Vila Leopoldina
Foram lançadas 1.770 unidades, número considerado um pouco alto por Luís Paulo Pompéia. Para ele, o bairro inspira cautela, ainda que tenha vocação para empreendimentos comerciais de qualquer porte, por sua boa localização. O bairro tem fácil acesso para as Marginais Pinheiros e Tietê, assim como para as Rodovias Castelo Branco, Anhanguera e Bandeirantes. Além disso, conta com a proximidade de estações de trem e metrô. Ainda assim, em função do grande número de unidades, o sucesso de um investimento na região pode depender de detalhes, como o número de vagas na garagem.


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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SP: vendas de imóveis usados caem 15% no primeiro semestre de 2012

Infomoney -

Comercializações subiram na capital, no litoral e nas cidades do ABCD, Osasco e Guarulhos



SÃO PAULO - A venda de imóveis usados no estado de São Paulo recuou 15,09% no primeiro semestre deste ano, frente ao mesmo período de 2011. No mês de junho o saldo negativo foi de 10,23% frente a maio, segundo dados da pesquisa divulgada pelo Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo) nesta quinta-feira (16).

De acordo com o levantamento, feito com 1.444 imobiliárias pesquisadas, na comparação mensal, entre as quatro regiões analisadas pelo Creci-SP, foram registradas altas no número de vendas da Capital (+33,85%), no Litoral (+5,82%), e nas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco (+1.92%). Por outro lado, houve queda no Interior, de 38,81%, o que puxou para baixo o resultado geral.

Preferências
No sexto mês deste ano foram vendidos mais apartamentos do que casas, com 54,02% e 45,98%, respectivamente, de participação das unidades comercializadas.

Sobre o valor do imóvel, é possível perceber na capital a preferência por aqueles acima de R$ 200 mil, que tiveram 75% de participação, de acordo com a tabela abaixo:
   Valor do Imóvel (R$)      Capital      Interior      ABCDOG*      Litoral    
Até 40 milnulo0,36%0,57%1,90%
De 41 a 60 mil0,42%0,71%nulo1,90%
De 61 a 80 mil0,85%1,07%nulo5,24%
De 81 a 100 mil1,27%7,14%7,47%14,29%
De 101 a 120 mil0,85%11,43%1,72%11,43%
De 121 mil a 140 mil3,39%12,86%13,22%10,48%
De 141 mil a 160 mil6,78%6,79%5,75%4,29%
De 161 mil a 180 mil6,36%6,07%11,41%8,57%
De 181 mil a 200 mil5,08%2,50%6,90%5,71%
Acima de 200 mil75%51,07%52,87%36,19%
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Preços de imóveis em alta fazem número de contratos cair

O GLOBO - 

Apesar do crescimento no volume de crédito, recursos da poupança financiam menos imóveis que no primeiro semestre de 2011


 
Apesar dos bons resultados da Caixa Econômica Federal, que divulgou ontem lucro recorde no primeiro semestre de quase R$ 3 bilhões, o número de contratos de financiamento imobiliário com recursos da poupança (aqueles para imóveis com valores superiores a R$ 170 mil) teve grande redução. Enquanto nos seis primeiros meses do ano passado foram fechadas 25.881 operações, até junho desse ano foram 11.589 contratações no estado do Rio. O volume de crédito, contudo, subiu, ainda que pouco — de R$ 2,3 bilhões para R$ 2,4 bilhões — confirmando a alta dos preços dos imóveis.

Os números refletem a realidade nacional, onde também houve aumento no volume de crédito e diminuição no número de contratos. Foram 106.079 contratos no valor de R$ 18,8 bilhões até junho deste ano, contra 303.824 e R$ 17,4 bilhões no mesmo período do ano passado. Já no somatório geral das várias linhas de crédito houve crescimento de 29,7%. Foram liberados R$ 4,45 bilhões, que financiaram 38.652 imóveis no Estado do Rio, enquanto no primeiro semestre de 2011, R$ 3,43 bilhões financiaram 36.168 unidades.

Segundo a superintendente da Caixa no Rio, Nelma Tavares, o aumento no volume de empréstimos se deve ao Programa Melhor Crédito lançado pelo banco em abril e que diminuiu as taxas de juros em diferentes linhas de crédito. No caso da habitação, os juros variam hoje entre 7,8% e 8,85% ao ano mais TR para imóveis de até R$ 500 mil (SFH), e ficam entre 8,9% a 9,9% ao ano mais TR para imóveis com valores superiores a R$ 500 mil. O prazo também foi aumentado de 30 para 35 anos.
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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Boom de imóveis perde força no Brasil, diz Wall Street Journal

Infomoney - 

Apesar de prever crescimento no setor imobiliário, publicação afirma que haverá declínio na comparação com os últimos anos



SÃO PAULO - Expansão imobiliária no Brasil deve ser consideravelmente menor que nos anos anteriores, afirma matéria publicada pelo Wall Street Journal nesta terça-feira (14).

Segundo a publicação, os empréstimos para projetos imobiliários no País, considerando hipotecas e financiamentos para incorporadores devem crescer de forma saudável neste ano, de acordo com os padrões internacionais. A alta do volume de empréstimos deve chegar a 20% neste ano, algo em torno de R$ 95,9 bilhões.

De acordo com o jornal, o crescimento do volume de empréstimos é menor que o esperado, já que é possível perceber o declínio acentuado dessas operações na comparação com o crescimento dos últimos anos, de 50%.
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Preços das casas no Reino Unido caem para novo mínimo

Negócios Online - 

A diminuição nas vendas de imóveis continua a provocar uma queda do índice do preço das casas.


O índice de preços das casas atingiu um novo mínimo no espaço de um ano devido às transacções imóveis que caíram pelo quarto mês consecutivo, segundo a Bloomberg, que cita os dados da Royal Instituition of Chartered Surveyors.

Houve uma descida de 2 pontos em relação ao último mês, de -22 para -24. E nos últimos três meses verificou-se uma descida de 5 pontos, de -18 para -23. Uma leitura abaixo de zero, significa que houve mais quedas de preços do que aumentos.

O mercado imobiliário no Reino Unido encontra-se sob pressão já que os bancos estão a limitar o acesso ao financiamento e o actual estado económico não estimula possíveis compradores.

O Banco de Inglaterra já iniciou um programa que pretende aumentar o fluxo de crédito de modo a poder incentivar uma recuperação do consumo.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ricardo Amorim: O Medo da Bolha Imobiliária

Revista IstoÉ - 

Por: Ricardo Amorim



O mercado imobiliário gera paixões. Para muitos, a compra de um imóvel é a decisão financeira mais importante da vida. Para investidores, é um potencial de lucros às vezes fantásticos. Para o país, um poderoso motor de crescimento e geração de empregos.

Desde 2008, venho refutando alegações de que o Brasil tem uma bolha imobiliária prestes a estourar. De lá para cá, os preços dos imóveis dobraram, triplicaram ou subiram ainda mais.

Impressionado com o ritmo da atividade imobiliária e com a forte elevação dos preços, resolvi atualizar meus estudos sobre o assunto para checar minhas conclusões.

Analisei as bolhas imobiliárias de todos os países para os quais consegui dados desde 1900. Ignorei apenas bolhas imobiliárias regionais como, por exemplo, a causada pela busca do ouro no oeste americano.

Algumas conclusões saltam aos olhos. Primeiro, bolhas imobiliárias costumam envolver forte atividade de construção. Para tornar os dados de construção comparáveis entre diferentes países e períodos, analisei o consumo anual de cimento, per capita, em cada país no ano em que a bolha estourou. Não encontrei nenhum estouro de bolha com consumo anual de cimento inferior a 400 Kg per capita. Na Espanha, passou de 1.200 Kg e há casos, como na China atual, de consumo ainda superior, 1.600 Kg, sem estouro de bolha. No Brasil, minha estimativa é de que hoje estamos em 349 Kg.

Segundo, uma bolha imobiliária sempre se caracteriza por preços muito elevados em relação à capacidade de pagamento das pessoas. Considerando-se quantos anos de salários são necessários para comprar um imóvel de preço médio nas principais cidades do mundo, nenhuma cidade brasileira está hoje entre as 20 mais caras. Por outro lado, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador e Balneário Camboriú estão entre as 100 mais caras. Entretanto, mesmo por esse parâmetro, Brasília, a mais cara do país, ainda é duas vezes e meia mais barata do que Rabat, no Marrocos, a mais cara do mundo.

O ar que infla qualquer bolha de investimento, imobiliária ou não, é sempre uma abundante oferta de crédito. Ela possibilita que investidores comprem algo que não poderiam apenas com suas rendas. Todas as bolhas imobiliárias que encontrei estouraram quando o total do crédito imobiliário superava 50% do PIB e, em alguns casos, passava de 130% do PIB. Nos EUA, em 2006, um ano antes dos preços começarem a cair, era de 79% do PIB. No Brasil, apesar de todo crescimento dos últimos anos, este número é hoje de 5% do PIB.

Aliás, é sempre uma súbita ruptura na oferta de crédito, normalmente associada a uma forte elevação do custo deste crédito, que faz com que bolhas estourem. No Brasil está acontecendo exatamente o contrário. O crédito imobiliário está em expansão e o seu custo em queda.
Por tudo que pesquisei, concluo que é bastante improvável que haja um estouro de bolha imobiliária no Brasil, pelo menos em breve. Se você vem adiando o sonho da casa própria por este medo, relaxe.

Então os preços dos imóveis continuarão subindo no ritmo dos últimos anos? Dificilmente. Os preços atuais já estão mais elevados; em casos específicos, até altos para padrões internacionais.

O mais provável, são altas mais modestas, às vezes bem mais modestas. Em alguns casos, até pequenos ajustes de preços para baixo são possíveis e salutares. São exatamente eles que garantiriam que bolhas não estourem em um futuro mais distante.
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Desaquecimento além do previsto na área imobiliária

O Estado de S.Paulo - 

 
Entre os primeiros semestres de 2011 e de 2012, caíram 37,2% os lançamentos de imóveis na capital, segundo o sindicato da habitação (Secovi). Os números foram piores do que o esperado e põem em risco a previsão de lançamento de 30 mil unidades, em 2012, próximo da média histórica.

A queda nos lançamentos era previsível, pois as construtoras têm tido mais dificuldades para aprovar projetos e, ao mesmo tempo, concentram a atividade na conclusão de obras iniciadas nos últimos anos, que estão sendo entregues aos compradores. Tendem a ficar para trás os atrasos frequentes em 2010/2011.

Recebendo as unidades, os mutuários substituem as empresas como devedores dos bancos que financiaram a construção. No semestre, o crédito à construção com recursos da poupança diminuiu 27,6%, mas aumentou 23,5% para os mutuários.

Ou seja, os dados sugerem que o interesse dos compradores arrefeceu menos que o das empresas, que estão conseguindo desovar estoques apesar da desaceleração das atividades e da queda global da confiança.

Pelos dados da Embraesp, que pesquisa o mercado imobiliário para o Secovi, as vendas aumentaram 2,6%, na comparação semestral, mas caíram 32% em junho, em relação a junho de 2011. Isso dá uma ideia das dimensões do ajuste. Mesmo empresas de porte tiveram prejuízo ou queda de rentabilidade e preparam com mais cuidado os novos lançamentos. Sazonalmente, as vendas são maiores no segundo semestre.

Segundo o índice Fipe-ZAP de julho, a alta de preços de imóveis em São Paulo ainda é de 18,8% em 12 meses, comparativamente aos 12 meses anteriores, ou seja, o triplo da inflação e acima da correção de salários. Por isso, os compradores têm se voltado para as unidades menores. Até junho, o prazo médio de venda de apartamentos de um dormitório foi de 6 meses, ante 10 meses para os de dois dormitórios e 13 meses para os de quatro dormitórios. Por número de unidades lançadas, predominam as de dois quartos.

A desaceleração imobiliária afeta empresas e consumidores, no curto prazo, mas não necessariamente no longo prazo. Nada seria pior do que o risco de bolha de imóveis, como ocorreu nos Estados Unidos e que se caracteriza pelo aumento da inadimplência - a impossibilidade de pagar as dívidas assumidas, mesmo depois de renegociações de dívida. No Brasil, a inadimplência dos mutuários é muito baixa, mas o risco de bolha será ainda menor com a acomodação em curso no mercado de imóveis.
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Mercado imobiliário vive momento de calmaria e beneficia novos compradores

Jornal Nacional/G1 - 

Com menos gente comprando, os preços até subiram - mas bem mais devagar.



Depois de um ano de euforia nas vendas e preços nas alturas, o mercado imobiliário vive um momento de calmaria. E quem quer comprar a casa própria pode se beneficiar disso.

Foram cinco anos fazendo a poupança. Thaís juntou dinheiro para dar entrada no primeiro apartamento. No ano passado, com os preços nas nuvens, ela preferiu esperar. Não foi a única. A reação dos consumidores fez diminuir o número de concessões de financiamentos para compra de imóveis: uma redução de 20,5% no primeiro semestre.

“Consumidor realmente ele tá mais atento, ele tá procurando com mais cautela. E as construtoras estão mais atentas para descobrir novos nichos de mercado”, explica Ronaldo Coelho Neto, vice-presidente do Secovi-RJ.

Com menos gente comprando, os preços até subiram - mas bem mais devagar. Entre janeiro e julho deste ano, a alta foi de 8,5% nas sete maiores regiões metropolitanas do país. Metade da escalada do ano passado, quando os imóveis ficaram 17% mais caros. “Aquela situação era fora da realidade, tinha lançamento sendo que era vendido todo no fim de semana, colocava na internet e dois, três dias tinha 10 ligações, isso era fora da realidade”, afirma Eduardo Zylberstajn, economista – Fipe.

Em alguns bairros do Rio e de São Paulo, o preço do metro quadrado chegou a cair. É o caso da Urca, bairro da zona sul do rio que sempre foi muito valorizado pela tranqüilidade e pela vista: um dos cartões-postais da cidade. O preço do metro quadrado baixou quase 1% só no mês de julho. Dá um desconto de oito mil reais num apartamento de cem metros quadrados.

Com os juros mais baixos e os preços mais acomodados, ficou bom para quem, como a Thaís, quer comprar. Ela, que procurava um quarto e sala, já sonha com um futuro mais amplo. Quem sabe um dois quartos caiba no orçamento. “Com um prazo de financiamento legal, os juros mais baixos, então acho que agora é a hora”, diz Thais.
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Sindicato prevê recuperação das vendas de imóveis em São Paulo

Agência Brasil -

SÃO PAULO - Valor total dos negócios chegou a R$ 6 bilhões entre janeiro e junho, montante 1,5% menor do que o constatado no primeiro semestre de 2011...


foto: Divulgaçãoimóveis imoveis casa apartamento
Vendas de imóveis novos na cidade de São Paulo caíram 32,3% em junho se comparado a maio


SÃO PAULO - As vendas de imóveis novos na cidade de São Paulo caíram 32,3% em junho se comparado a maio. Foram vendidas 1.846 unidades ante 2.728 no mês anterior. No acumulado do primeiro semestre o movimento foi 2,6% superior ao registrado em igual período do ano passado, com a soma de 11.981 unidades.

O valor total dos negócios chegou a R$ 6 bilhões entre janeiro e junho, montante 1,5% menor do que o constatado no primeiro semestre de 2011 (R$ 6,1 bilhões).

De acordo com a análise técnica do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), há um equilíbrio entre a oferta e a procura. Em junho, as ofertas foram 15% inferiores a de igual mês do ano passado.

Pelas previsões do Secovi, a demanda deve crescer 10% no fechamento do ano com o escoamento de 31 mil imóveis. Caso esse desempenho seja de fato alcançado significará a recuperação do setor, já que em igual período de 2011, houve um recuo de 31%.
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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

BH registra queda nos preços de imóveis

Band - 

Após altas em 2012 e recorde no último ano, mercado tem diminuição. Tendência é de que os valores em BH continuem estagnados



O mercado imobiliário de Belo Horizonte finalmente esfriou. Após registrar frequentes altas, incluindo um boom no ano passado, o preço médio dos imóveis na capital registrou a segunda queda consecutiva – a maior entre as sete capitais pesquisadas pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

A queda na média dos preços anunciados foi de 1,2%. Em junho, já havia sido registrada uma diminuição de 0,4%. A justificativa para a desaceleração é o enfraquecimento das condições do crédito imobiliário.

“Esse movimento se acalmou. Ainda existem condições boas, mas razoavelmente estáveis. Com isso, a demanda ficou mais tranquila e, consequentemente, a oferta”, explica o economista Eduardo Zylberstajn, coordenador do levantamento da Fipe.

Além de BH, foram estudados os preços de Salvador, São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Fortaleza e Distrito Federal. A queda registrada na capital mineira foi a segunda maior desde maio de 2009, quando a cidade foi incluída no estudo.

A esfriada do mercado já era esperada por especialistas após a capital atingir a maior valorização em 36 meses no ano passado, quando foi registrada alta de 23,6%. “Imóvel não é uma categoria que tem correção mensal. Ele dá saltos de tempos em tempos e tivemos um grande salto em 2011”, explica o presidente da Lar Imóveis, Luiz Antônio Rodrigues. “A previsão é de que o cenário seja mais calmo nos próximos meses”, diz Zylberstajn.
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EUA: Preços das residências têm maior alta em 7 anos

O Estado de S.Paulo - 

Os preços das residências nos EUA tiveram a maior alta porcentual em pelo menos sete anos durante o segundo trimestre. O valor foi impulsionado pelos estoques reduzidos de imóveis para venda e pela alta demanda por imóveis com preços de ocasião gerados por hipotecas em execução, informa o The Wall Street Journal. Segundo a CoreLogic, os preços dos imóveis subiram 2,5% no segundo trimestre deste ano ante o mesmo período de 2011. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, a alta foi de 6%.
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

China: Alto estoque de imóveis também é problema no país

O Estado de S.Paulo -



As restrições impostas pelo governo nos últimos dois anos, para tentar desinflar a bolha do mercado imobiliário, são o principal fator doméstico na desaceleração da economia chinesa.

Depois de investimentos realizados na onda do pacote de estímulo lançado em 2008, o setor tem estoques de residências para quase um ano nas maiores cidades do país, Pequim e Xangai.

Os negócios reagiram no último mês por causa de descontos oferecidos pelas construtoras. Mas analistas não acreditam que haja possibilidade de retomada dos investimentos no curto prazo.

O setor responde por cerca de 25% do PIB chinês e tem impacto sobre uma série de indústrias, que vão da siderurgia à produção de eletrodomésticos e carros. Seu comportamento define não apenas os movimentos da economia chinesa, mas a cotação de matérias-primas, como o minério de ferro, exportado pelo Brasil e usado na fabricação de aço. / C.T.
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