Tribuna da Bahia -
Maílson descarta bolha imobiliária
Além disso, a valorização do preço do imóvel que aconteceu nos EUA não se vê no caso brasileiro, embora você tenha imóveis sendo vendidos com o metro quadrado sendo cotado a R$ 50 mil. Se esse imóvel se desvalorizar o mico vai ficar com quem comprou, porque não é um bem financiado”, explicou Maílson, ontem durante palestra na 22ª Convenção Anual da Ademi-BA, no Iberoestar Praia do forte.
Mas apesar do otimismo, o economista também ressaltou que é importante que o país apresente uma taxa de juros sustentável e acabe com o que resta de indexação na economia, bem como com o direcionamento do crédito, efetuado pelo BNDES. Na sua opinião esses fatores tendem a diminuir a velocidade da queda dos juros e com isso prejudica a expansão do crédito imobiliário “ que hoje é de apenas 4% do PIB, quando nós temos 20% no Chile, e 10% no México”.
Ao avaliar a capacidade da caderneta de poupança de vigorar como importante fonte de financiamento para o setor imobiliário, como tem sido, junto com o FGTS, Maílson disse acreditar que esse instrumento venha ainda por um bom tempo a funcionar como alavanca do crédito imobiliário.
No entanto, ressaltou que o mercado de capitais, cuja inserção no PIB é de 80%, que não se reduz a ações, tem fôlego suficiente para financiar o setor, nós estamos ainda na infância do crédito imobiliário”, disse.
Maílson ressaltou que ao lado do varejo, do agronegócio e da área de petróleo, por conta das oportunidades do pré-sal, o mercado imobiliário brasileiro deve se manter em expansão, nos próximos anos, por conta da estabilidade econômica, do controle da inflação e de mecanismos como a alienação fiduciária, que garante a retomada do imóvel, em caso de inadimplência, além do patrimônio de afetação, que garante a construção da unidade habitacional.
O economista prevê que a economia do Brasil seja pouco afetada com a crise fiscal mundial, onde os governos europeus enfrentam graves desconfianças se podem ou não honrar os compromissos assumidos diante das dívidas dos países.
“Estamos mais ligados às economias emergentes, no caso China, Índia e Rússia, do que ao mundo europeu. 17,5 por cento das exportações brasileiras vão para China”, explicou. “Claro não passaremos em brancas nuvens, nosso crescimento será reduzido, acredito que para casa dos 3,5% , mas o mercado interno não vai se deteriorar.
Nós na Tendência Consultoria Integrada avaliamos que a inflação esse ano fique na casa dos 6,6% e em 2012 chegue a 6%.
O desemprego feche em 6% no final do ano e 5,8% no próximo ano, enquanto a massa salarial fique na casa dos 5,5% e cresça para 5,2%, enquanto os juros batam em 11% esse ano e em 2012 se estabeleça em 11,5%,embora o governo aposte num número menor. Mas, seja lá como for, o cenário é positivo”, avaliou Maílson.
Zona do Euro pode entrar em colapso
Na percepção do economista, o perigo é a zona do euro entrar em colapso, “mas como se tem vistopelas últimas notícias internacionais, há movimentos positivos por lá, a exemplo da substituição na Itália de Berlusconi e das eleições na Grécia.
O caso mais emblemático é o da Grécia, mas se ela sair da zona do euro será catastrófico para o país e pode contaminar os demais, com a geração de uma crise de desconfiança. É ruim para a Grécia ficar e pior se sair, por que ela perderia acesso ao mercado de crédito. Portanto, acredito que haverá uma solução, mas a Europa terá pela frente uma década perdida”, concluiu
