Mostrando postagens com marcador entrevistas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador entrevistas. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de agosto de 2012

É possível inovar e reduzir custos ao mesmo tempo

VivaReal - 
Empreendedorismo, inovação e mercado imobiliário são temas inseparáveis, inesgotáveis e debatidos frequentemente no blog de Guilherme Machado. Selecionado praticamente toda semana para compor o ranking Melhores posts do setor imobiliário do VivaReal, por trazer novidades e análises diferenciadas sobre o segmento, Machado revelou em entrevista para o VivaReal que é possível reduzir custos e inovar ao mesmo tempo para gerar bons negócios a empresas, colaboradores, consumidor e mercado.


VivaReal – Como é possível reduzir custos e inovar ao mesmo tempo?

Guilherme Machado – É necessário investir no capital humano. A pessoa é elemento essencial para inovação. Sua capacidade de refletir, criar e propor mudanças é fundamental, independentemente do porte da empresa. Por isso é importante criar um ambiente propício para que a inovação aconteça com o estímulo à proposição de novas ideias, valorização do capital humano e intelectual, que são intrínsecos à empresa, ou seja, transformar colaboradores em parceiros do negócio. A empresa que cria esse ambiente, que instiga a liberdade de expressão e de criação, tende a reduzir os seus custos. São atitudes que levam para um caminho determinado. Inovar é construir esse alinhamento para o alcance das metas.

VR – No cenário atual do setor imobiliário, como a motivação para inovar pode ser aplicada às empresas de todos os portes e aos profissionais desse segmento?

Machado – Estamos vivenciando um movimento de homogeneização de produtos e serviços no mercado. Por isso, a inovação é uma questão de sobrevivência e não mais um diferencial. Inovar é imprescindível para um profissional ou uma organização que almeja estar cada vez mais qualificada, garantindo a sustentabilidade de seu negócio.

É importante notar que a valorização do mercado imobiliário a cada dia atrai novos profissionais das mais diferentes formações; quem deseja ter uma história bem-sucedida precisa inovar. Aprender hoje, reaprender amanhã para aprender algo novo a cada dia e, assim, proporcionar uma melhoria contínua do profissional e também do próprio segmento.

VR – A experiência de compra de um imóvel tem mudado, principalmente, com a utilização de novos canais de comunicação para divulgar imóveis e prospectar clientes. Como o Brasil tem sido inovador/criativo/pioneiro nessa nova experiência de compra/venda/aluguel de imóveis?

Machado – É urgente a necessidade de conhecer profundamente o perfil do cliente. O tempo é escasso e as novas ferramentas de comunicação vêm para facilitar o relacionamento com o cliente. Mas só é possível inovar se os profissionais tiverem consciência da necessidade do atendimento diferenciado, gerando mais credibilidade. Conhecer o perfil do cliente é fundamental para antecipar-se às demandas e oferecer soluções mais rápidas e compatíveis com as necessidades.

As novas tecnologias permitem personalizar as ferramentas de comunicação e potencializar novos negócios. Essa realidade é o presente do mercado imobiliário e não mais o futuro. Diante disso, o pioneirismo do Brasil é buscar o entendimento das pessoas que navegam por essas ferramentas, criando relacionamento personalizado com os públicos de interesse.

VR
– Qual a importância dos portais imobiliários no desenvolvimento do setor?

Machado – Os portais imobiliários são ferramentas essenciais para transmitir informações e conhecimento para clientes e profissionais do mercado. Utilizados de forma estratégica, os portais são excelentes oportunidades para criação de novos relacionamentos e, consequentemente, de novos negócios. O seu potencial está na capacidade de ser uma plataforma propícia para o desenvolvimento do e-Business e a integração com os públicos-alvo. Esses fatores ganham ainda mais relevância frente a rapidez da comunicação com o cliente, gerando confiança e comodidade.

VR – É os principais incômodos e desafios vividos atualmente pelos profissionais do setor imobiliário frente ao mercado?
Machado – Percebo que a oscilação no cenário econômico gera insegurança aos profissionais e às empresas. Isso impacta, por exemplo, na falta de previsibilidade de fluxo de caixa para um investimento mais arrojado até um orçamento familiar mais estável. Meu desafio, enquanto coach é tornar empresas e profissionais mais aptos a lidar com adversidades a partir da educação continuada para aumentar o nível de excelência na prestação de serviço.

VR – Quais são os principais desafios do setor imobiliário brasileiro para os próximos 2 anos?
Machado – A profissionalização, tanto no que se refere à gestão organizacional quanto à capacitação dos profissionais.

Guilherme Machado – Consultor, coach, palestrante, expertise no desenvolvimento de equipes comerciais com foco em resultado e autor do blog guilhermemachado
Leia Mais ►

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Um mercado em construção (entrevista com Ricardo Amorim)

Ricanconsult/Revista Mais -

Entrevista de Ricardo Amorim à Revista Mais: Mercado imobiliário brasileiro seguirá aquecido (05/2012).

 

Clique no link para abaixo para acessar o PDF da entrevista.




Leia Mais ►

sexta-feira, 30 de março de 2012

Conexões: a chave para o sucesso do corretor de imóveis


Redimob -

Os mercados imobiliários estão interligados, os clientes são globais e exigem esta mesma postura do corretor de imóveis.

Conquistar mercados não é mais um sonho impossível. Graças a internet, profissionais podem avançar fronteiras e estabelecer relacionamentos comerciais, que tempos atrás, poucos tinham acesso.

A ferramenta está aí, disponível para todos, mas saber usá-la corretamente, nem todos sabem. Porém, quando o profissional utiliza os canais sociais, destaca-se por informações, relacionamentos e fortalecimento da marca pessoal. Não é a toa que a “Usuária Destaque do mês de Março” atua em Miami, no Estado da Flórida (EUA). A corretora de imóveis Geane Brito foi a usuária que mais utilizou as ferramentas do Redimob para aproximar-se dos profissionais brasileiros e assim consolidar novas conexões. Corretora de imóveis, que atualmente se especializa no mercado imobiliário de luxo em Miami, Geane também é formada em Jornalismo pela New York University e mensalmente a especialista aborda assuntos voltados ao mercado imobiliário americano, mídias sociais e marketing.


Você é especializada na atuação do mercado de luxo em Miami. Qual o principal desafio em atuar neste mercado? Qual sua avaliação sobre  o mesmo?

O mercado imobiliário de Miami é uma fronteira com grandes possibilidades e desafios. É um momento histórico para atuar neste mercado, pois os EUA estão saindo de uma das piores fases imobiliárias, com milhões de execuções hipotecárias e restritas possibilidades de crédito. Mas é justamente nas mais difíceis situações que os melhores profissionais se destacam com conhecimento, experiência e dedicação ao cliente. Estou super positiva pois Miami é um mercado que está abrindo o caminho para recuperação imobiliária americana e isto graças a incrível participação do comprador estrangeiro - com destaque aos brasileiros. Tenho uma vantagem de ser brasileira, falar Português, Espanhol e Inglês e entender o “lado cultural” do comprador sul-americano e suas expectativas na área de atendimento.

Atualmente, como é a sua relação com os corretores de imóveis de outros mercados, inclusive corretores brasileiros?

Tenho estabelecido uma saudável relação com os corretores de muitos países através do uso eficaz da mídias sociais - com foco no Twitter, Facebook, Linke-in, YouTube & o meu blog brasileiro de Miami, o GOGOMIAMI.com no WordPress. Além disso, profissionalmente uso o website da Chariff Realty Group, um dos melhores websites do mercado imobiliário em Miami, com foco tanto comercial quanto residencial e atendimento em Português. Muitas parcerias surgiram online e acabaram gerando negócios. O trabalho do corretor é social por natureza e realmente não consigo imaginar trabalhar sem o uso da Internet para compartilhar, aprender e se relacionar com profissionais tanto no Brasil quanto na Argentina, México e na Europa.

Como você utiliza as mídias sociais para fortalecer os relacionamentos?

Utilizo muito as redes sociais, como respondi anteriormente. O corretor de imóveis deve focar em alguns canais e tentar desenvolvê-los de forma individual, pois os usuários são diferentes em cada mídia. E o mais importante é não tirar o "social" das mídias sociais, ou seja, existe um diálogo, uma troca. No final do dia, se tudo o que você está fazendo é postando anúncio imobiliário, ninguém vai te seguir, ou compartilhar. O fortalecimento do relacionamento vem mesmo é do fortalecimento da sua presença e da sua "marca" pessoal, criando uma identificação com o cliente.

Qual a importância do corretor de imóveis buscar uma aproximação com outros mercados  e assim, criar um relacionamento global?

Considero-me o protótipo da corretora global - e os clientes veem isso, pois os mercados imobiliários são todos interligados e hoje, os clientes são globais - viajam, investem e se interessam por mundos e culturas diversas e procuram no corretor estas mesmas atitudes.

Qual a sua dica para o corretor de imóveis que deseja buscar parceiros e clientes em outros mercados, para assim atuar globalmente?

Estude os mercados e jogue limpo. Parcerias são super importantes pois uma indicação imobiliária é bem melhor do que tentar se apresentar como "expert" de um mercado que o profissional não está vivendo diariamente e não sabe "os entretantos e finalmentes". Pesquise e busque comunicação com pessoas que estão fazendo um bom trabalho e abram as portas. Confie que a pessoa escolhida para a sua parceria foi uma boa escolha. E deixe o negócio rolar sem macro-gerenciamento. Mercados imobiliários, tanto nos EUA quanto na Europa, são bem regularizados. Indique o cliente, assine o seu contrato de indicação e deixe o negócio rolar naturalmente.
Leia Mais ►

terça-feira, 6 de março de 2012

Bjarke Ingels e sua arquitetura hedonista (entrevista)

Casa Vogue -

Líder do escritório dinamarquês BIG e um dos mais promissores arquitetos da atualidade na Europa, Bjarke Ingels está na pauta do dia no Brasil. Seu sócio, Kai-Uwe Bergmann, participa este mês da Kitchen & Bath, feira internacional de produtos e acessórios para cozinha e banheiro em São Paulo. Aproveitamos a passagem para conversar com Bjarke sobre o país, arquitetura e hedonismo.
Vencedor do European Prize for Architecture de 2010, ele tem apenas 38 anos de idade, mas é reconhecido por defender ideias como a inclusão da arquitetura na grade de matérias das escolas fundamentais e secundárias, e por realizar projetos que conciliam sustentabilidade e qualidade de vida.
Representante de uma nova geração, Ingels nasceu em Copenhague, estudou arquitetura na Royal Academy da cidade e na Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona. Trabalhou com Rem Koolhaas, na Holanda, mas retornou para a Dinamarca, onde fundou o estúdio Plot, que recebeu um Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2004 pelo projeto de uma sala de música na Noruega. Eem 2006, Ingels fundou o escritorio BIG que, como o próprio nome diz, propõe que as pessoas pensem grande. Os projetos mais celebrados do novo ateliê estão na Dinamarca: um conjunto de 80 apartamentos chamado The Mountain e o edifício 8, com um suave caimento que permite pedalar do térreo até a cobertura. (FABIO DE PAULA)
Edifício The Mountain, Copenhague
Você já veio ao Brasil mais de uma vez. Qual é a sua relação com o país?
Em 2001, eu ganhei uma competição promovida pelo arquiteto dinamarquês Henning Larsen. Com o valor do prêmio, mais ou menos 10 mil dólares, viajei ao Brasil, porque eu tinha o desejo de conhecer sua tradição arquitetônica. Fui em busca do trabalho de Lina Bo Bardi, Oscar Niemeyer, Vilanova Artigas, Affonso Reidy e Paulo Mendes da Rocha. Na ocasião, passei por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, e terminei a viagem na Ilha Grande. Também conheço a Argentina e a Bolívia.
Quais arquitetos brasileiros da sua geração você conhece?
Conheço o trabalho da Triptyque Arquitetura, e do escritório Eduardo Mondolfo Arquitetos, com o qual trabalhamos juntos no projeto para o Concurso Porto Olímpico do Rio de Janeiro.
E além deste projeto, o BIG está envolvido em mais algum trabalho no Brasil?
Eu voltei ao Brasil em 2010 para apresentar palestras e participar de encontros de negócios. Em apenas 48 horas, tive reuniões bastante promissoras com alguns empresários, mas não posso revelar seus nomes. De qualquer forma, eles se mostraram muito interessados em nosso trabalho, e eu estou bem entusiasmado com a possibilidade de fazer projetos no país.
O principal motivo de minha vinda ao Brasil teve a ver com um projeto de intercâmbio universitário em que meus alunos da Faculdade de Design de Harvard pretendem avaliar os impactos econômicos, sociais, ambientais e urbanísticos da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 especificamente na cidade do Rio de Janeiro.
Edifício 8 House, Copenhague
Como você avalia nossa arquitetura?
Hoje, para mim, a melhor definição para a arquitetura brasileira é o termo “modernismo hedonista”. O modernismo está lá em sua manifestação mais pura. Mas, ao contrário da tradição anglo-saxã, que reduziu as construções a caixotes monótonos, no Brasil você encontra um modernismo expressivo, imaginativo, provocativo.
E o que você viu no Brasil que tenha avançado deste modernismo? Muita coisa mudou desde o surgimento do modernismo brasileiro a que você se refere.
Ao sobrevoar São Paulo, você vê essa paisagem infinita de edifícios de altura mediana, muitos deles bastante novos e inexpressivos. O problema é que os arquitetos sempre acreditam que o lugar onde eles vivem é o pior. Na Dinamarca, por exemplo, nos últimos dez anos foram realizados muitos projetos úteis e instigantes, mas, a meu ver, 90% do que se constrói ainda é lixo.
VM Houses, Copenhague
O que você quer dizer com “modernismo hedonista”?
Não é um modernismo triste, pragmático, que repete modelos. A primeira vez em que eu vi a arquitetura de Ipanema e Copacabana, associei o modernismo brasileiro aos mulatos – é uma mistura de todos os tipos de culturas. O modernismo que você vê ali mistura materiais, formas, cores, e é uma arquitetura totalmente hedonista, no sentido de que é voltada para a diversão, para o lazer. É uma infraestrutura criada para a felicidade – algo pensado no modernismo pioneiro. As coberturas em laje, por exemplo, não foram criadas apenas para trazer soluções mecânicas – elas foram originalmente pensadas para serem sempre usadas como terraços, para o lazer dos moradores.
Você associa o “modernismo hedonista” à arquitetura carioca, mas diria que o hedonismo está presente no modernismo praticado na cidade de São Paulo?
Em São Paulo, o brutalismo é mais notável, a infraestrutura é claramente pensada para as questões sociais. E meu arquiteto preferido do Brasil é Lina Bo Bardi. Você pode notar a preocupação social da arquitetura paulista em seu projetos, como o Masp, com seu imenso vão livre idealizado para que as multidões pudessem se reunir ali, e nas imensas salas de exposição, com aqueles delicados suportes para as obras de arte. É uma pena, aliás, o que fizeram com aquele modelo de exposição – a solução atual, com essas paredes brancas, faz com que o interior do museu se pareça com um conjunto de vestiários. De qualquer forma, após sua temporada em Salvador, Lina volta para São Paulo, e pratica o que chamava de “arquitetura pobre”, algo que me interessa muito, com essa simplificação absoluta dos espaços, e que pode ter um resultado magnífico, como é o caso do Sesc Pompeia, com seu genial esquema de ventilação. Minha impressão é de que a arquitetura paulista é mais sóbria, mas não menos inventiva.
Pavilhão dinamarquês na Expo Xangai 2010
E você concorda com essa associação que se faz entre a atual arquitetura praticada na Dinamarca e a sustentabilidade?
Eu sou muito crítico com relação ao meu país, mas devo reconhecer que a Dinamarca é provavelmente a nação que mais conseguiu se aproximar do socialismo: é uma economia de livre mercado, mas com educação gratuita, amplo serviço social, hospitais são gratuitos, onde o governo paga para os estudantes concluírem seus estudos. Em Copenhague, 90% do território é servido por ciclovias e os canais são tão limpos que qualquer um pode nadar neles. Os dinamarqueses têm uma preocupação genuína com o meio ambiente e as questões sociais – e é justamente quando saímos do país que mais nos damos conta disso. Para se ter uma ideia, apenas 4% do lixo produzido no país vai parar em aterros. Chicago, que é uma cidade ambientalmente correta pros padrões norte-americanos, destina 85% de seu lixo aos aterros. Enquanto isso, na Dinamarca, 42% do lixo é reciclado e 54% é usado na geração de energia. É um país com problemas como qualquer outro, mas é realmente avançado em termos de preservação – e isso está presente na nossa arquitetura.
O hedonismo é um dos elementos que compõe o o que você chama de “Think Big” (Pense Grande). Como aplicar isso em outras partes?
Na Dinamarca, a construção da infraestrutura sempre tem uma preocupação social, mas essa postura inventiva nem sempre está presente como na arquitetura paulista. Criamos o termo “sustentabilidade hedonista”, que é uma das bases do “Think Big”, vislumbrando algo que tem preocupação social, mas é voltada para a diversão, exatamente como a arquitetura carioca, e engloba a preservação do meio ambiente. Pensamos na infraestrutura tendo como objetivo a felicidade de seus usuários. Afinal, a sustentabilidade não deveria ser o quanto de qualidade de vida nós temos que abrir mão, não deveria ser um fardo na vida das pessoas. A sustentabilidade não precisa ser como um valor protestante, que estabelece que tudo que lhe faz bem necessariamente tem que lhe causar alguma dor. A sustentabilidade, tanto nos edifícios quanto nas cidades, pode significar um aumento de qualidade de vida.
Piscina criada no Porto de Copenhague
E quais as outras bases do “Think Big”?
Eu diria que nossa filosofia de trabalho é produzir arquitetura com uma atitude sempre otimista diante dos desafios propostos. Em vez de transformar qualquer projeto em um dilema político ou moral, nós nos concentramos no tipo de vida que os usuários terão no projeto construído, de forma que eles encontrem ali aquilo que eles desejam. E projetamos de um modo a não punir o planeta, afinal não há nada de bom em poluir os oceanos a ponto de você não poder nadar neles, certo? Isso é terrível demais. O hedonismo é isso – aproveitar a vida, passear pela cidade de bicicleta, em vez de ficar preso em um congestionamento dentro de um automóvel.
E como pensar grande em um país como o Brasil?
Lina Bo Bardi certamente fazia isso. Mas Brasília, mesmo com alguns edifícios espetaculares, me parece um exagero de escala, é um lugar que pode ser desolador. Para mim, a obra de Oscar Niemeyer tem sua redenção no edifício Copan, aqui em São Paulo, e em Belo Horizonte. Gosto do conjunto da Pampulha, mas o que mais me chama a atenção é uma pequena escola pública [o arquiteto se refere à Escola Estadual Governador Milton Campos, projeto de 1954, também conhecido como Colégio Estadual Central]. Um ótimo exemplo daquilo que se aplica ao “Think Big” como um todo. No projeto de arquitetura, a prioridade não é todos terem acesso ao mínimo, mas todos terem acesso à felicidade.
Edifício 8 House, Copenhague
E como pensar grande com pouco dinheiro? É possível criar projetos, com conceitos como sustentabilidade hedonista, tendo poucos recursos financeiros?
A estratégia em qualquer projeto é alcançar o máximo dos efeitos e significados esperados. Quando se pensa arquitetura com poucos recursos, você deve estabelecer prioridades diferentes, mas isso não quer dizer que os efeitos devem ser menos relevantes. O arquiteto deve listar todos os desafios que o programa lhe apresenta, e saber atingir o efeito desejado a partir do desenho, mesmo com pouco dinheiro. No caso do Brasil, há duas questões a se considerar: é um país insanamente rico, mas com muita pobreza. Sua economia é maior do que a de todos os demais países latino-americanos somadas. Em um país como esse, o artifício é saber aproveitar o investimento que se faz. Quando você aplica recursos em uma rodovia, por exemplo, você não está apenas criando uma solução de transporte. Você tem a pobreza, e com ela as favelas que podem surgir na beira da estrada, os sem-teto que poderão passar a morar embaixo das pontes. Por que não associar novas funções a essas pontes que ofereçam condições a essas pessoas de vencer a pobreza, tanto no que se refere a moradia e trabalho, mas também a lazer? Por que não pensar nisso de maneira sustentável?
Mas a arquitetura não é capaz de mudar sozinha a realidade social de um país do tamanho do Brasil.
Eu não tenho essa ilusão messiânica de muitos arquitetos, mas acredito que todos nós, de alguma forma, quando nos deparamos em projeto com algum desafio social, tentamos maximizar o potencial de que dispomos. Outro elemento do “Think Big” – a utopia pragmática – fala justamente disso. É o oposto do modernismo utópico, que imaginava soluções universais, que dizia que tudo deveria ser igual, que fez Le Corbusier apagar Paris em projeto e criar uma seqüência de arranha-céus sobre uma grelha de quarteirões retangulares. A utopia pragmática, por outro lado, cria soluções pontuais, mas economicamente viáveis e ambientalmente corretas. Uma solução para cada desafio, somadas umas às outras – é assim que poderemos mudar a sociedade. Se os arquitetos, porém, continuarem sempre pensando em soluções universais, eles não chegarão a lugar nenhum.




Projeto de futuro Centro Cívico de Tallinn, Estônia


Projeto da futura Galeria Nacional de Arte da Groenlândia


Projeto de futuro centro cultural e mesquita em Tirana, Albânia


Projeto do futuro edifício West 57, em Nova York


Projeto de futura pista de esqui sobre usina de reciclagem, Copenhague


Projeto de futuro parque flutuante em Estocolmo
Leia Mais ►

quinta-feira, 1 de março de 2012

Entrevista: "Poupança é para pouco dinheiro", diz consultor Gustavo Cerbasi

Istoé Dinheiro -

Em conversa promovida pela DINHEIRO pelo Twitter, o consultor de finanças pessoais Gustavo Cerbasi comenta a situação do Tesouro Direto, valor de imóveis e dá dicas para multiplicar seus recursos.


Por João Varella
Qual é a hora certa para comprar um imóvel? A poupança é um boa alternativa de investimento na atualidade? Com a tendência de queda na taxa Selic, o Tesouro Direto se tornou uma opção ruim? Esses foram alguns dos assuntos discutidos pelo consultor de finanças pessoais Gustavo Cerbasi em entrevista concedida à DINHEIRO Online pelo Twitter na tarde desta quarta-feira 29. A conversa contou com a participação dos internautas, que tiraram dúvidas e fizeram comentários.  Confira abaixo os principais trechos do bate-papo.  



cerbasi3.jpg
O consultor de finanças pessoais Gustavo Cerbasi é o autor de livros de sucesso como "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos", entre outros

Selic

@revistadinheiro - 1ª pergunta: Com a Selic apontando para se estabilizar em um dígito, quais são as melhores oportunidades para os investidores?

@gcerbasi - A estabilização da taxa nivela oportunidades na renda fixa e favorece a renda variável. Atente para Análise Fundamentalista. Afinal, as empresas que mais se beneficiam do cenário de baixa terão isso claro em seus planos.

@felipehqueiroz - Com tendência da SELIC em baixa, o que pode influenciar as atividades econômicas?

@gcerbasi - Selic em baixa desanima os poupadores, o que os leva a procurar outras oportunidades. Empreender ou ações, por exemplo.

Tesouro direto

@revistadinheiro - Tesouro Direto passou a ser uma má opção com a Selic em tendência de baixa?

@gcerbasi - Tesouro Direto perdeu competitividade em razão da tributação de curto prazo, mas é ótima opção para mais de dois anos.

@anabibliosouza - O Tesouro Direto também seria uma boa alternativa de curto prazo p/ o dinheiro render e dar de entrada em um imóvel?

@gcerbasi - Sim, desde que seu curto prazo seja de pelo menos dois anos.

Imóveis
@revistadinheiro - Não há o perigo de bolha no mercado imobiliário brasileiro?

@gcerbasi - Há bolhas isoladas, mas que devem ser consideradas mais como modismos do que como bolhas. Quem quer morar no bairro da moda sempre perde.

@allissonbacelar o fato de não haver bolha não quer dizer que não há risco ao investir em imóveis. Copa e Olimpíadas são bons norteamentos?

@gcerbasi - A Copa e as Olimpíadas já afetaram os preços dos imóveis. Daqui para frente, preços sobem com demanda e infraestrutura. Mesmo que os preços de imóveis se estabilizem ou caiam, quem compra na planta e escolhe bem sempre tem a ganhar.

@matheusjacobina - Tenho 25 anos. Quando sair do aluguel?

@gcerbasi - Quando você não quiser mais subir na carreira. Aluguel é flexibilidade.

Poupança

@revistadinheiro - A poupança é um investimento interessante? Para que perfil de investidor?

@gcerbasi - A poupança é interessante para a maioria dos brasileiros que recebem em conta-salário e teriam que pagar tarifa para investir no resto. Porém, poupança está ainda no piso da rentabilidade e tem liquidez limitada, pois perde-se ganho após a data de aniversário.

@revistadinheiro - Para quem tem renda variável (por exemplo, os autônomos) não é interessante a poupança? Por quê?

@gcerbasi - Todos deveriam ter uma reserva de emergências, principalmente quem tem renda variável. Poupança é boa para isso. Porém, à medida que as reservas pessoais crescem, acessamos fundos mais baratos, CDBs mais rentáveis. Poupança é para pouco dinheiro.

Aposentadoria

@allissonbacelar - p/ aposentadoria, já vi alguns indicarem Tesouro Direto no lugar da previdência privada. É um bom investimento?

@gcerbasi - Para aposentadoria, o Tesouro Direto é mais flexível que previdência privada, só que a disciplina é sua e sem benefício fiscal. Alguns planos de previdência oferecem taxa de carregamento zero para quem aplica por certo prazo. Vale pesquisar.
Ações

@Sergio_LRS - É verdade que ações da Eletropaulo têm rentabilidade de 17% AA, livre de IRPF e inflação ao ano? É vantajosa?

@gcerbasi - Para ações, olhe para frente, e não para o passado.

@dcmaximo - Oportunidades com ações não listadas no IBovespa? SmallCaps? Ou outros investimentos?

@gcerbasi - Deixe papéis menos analisados para uma parte pequena de seu patrimônio. Com risco excessivo, não mais do que 10% de seus investimentos, a não ser que você opere 10 horas por dia.

Dívidas

@revistadinheiro - Qual é o primeiro passo para se livrar das dívidas, @gcerbasi? O endividado deve pedir socorro para quem?

@gcerbasi - 
Dívidas? Humildade para dar um passo atrás. Nada de ajustar aos poucos. Venda carro e casa e mude de vida, com equilíbrio.
Leia Mais ►