Especulação imobiliária na Maré
Fonte: Viva Favela
Nas 17 comunidades que formam o Conjunto de Favelas da Maré, a realidade tem sido a mesma para quem sonha com a casa própria: imóveis cada vez mais caros. O custo médio de uma casa na região varia entre 40 e 50 mil reais, mas tem proprietários que chegam a cobrar até 98 mil. Imobiliárias, um novo ramo de negócios na localidade, existem em praticamente todas as comunidades, sinal de que comprar e vender na favela está sendo um bom negócio. A chegada de uma possível Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), a proximidade de grandes eventos esportivos na cidade e até mesmo a localização privilegiada da Maré (10 minutos do Centro da cidade e cercada pelas principais vias de acesso da cidade) são fatores apontados pelos moradores como os causadores da especulação imobiliária l
ocal.
Há sete meses no negócio, Aroldo Gomes, 40 anos, Corretor Autônomo e dono da Novo Lar Imobiliária, diz que entrou no ramo por perceber a necessidade, principalmente de pessoas de outras localidades, em entrar na comunidade para adquirir uma casa. “Os interessados, na maioria das vezes, têm parentes vivendo na favela e querem morar próximo a eles”. Outra constatação feita pelo corretor é de que as transações são feitas à vista, uma vez que as casas não têm RGI (Registro Geral de Imóveis), portanto, não podem fazer parte de qualquer financiamento. “Os clientes dizem conseguir o dinheiro para comprar a casa própria por meio de indenizações trabalhistas”, lembra.
Mariluci Nascimento, 31 anos, Historiadora e moradora da Nova Holanda, procura uma casa para comprar desde março, mas o altíssimo valor cobrado não tem permitido a realização do negócio. “As casas estão caríssimas. Vi uma na Vila dos Pinheiros que custava 95 mil reais, e não tinha nada de mais. Na Nova Holanda tem anúncios de casas nessa faixa. Totalmente fora da realidade. Onde moro atualmente, a infraestrutura não é legal, o esgoto vive entupido, vira e mexe falta água e quando chega o verão a falta de luz é constante. Gosto muito do lugar onde moro e não quero ir para outro bairro, mas acho um absurdo ter que pagar R$ 100 mil pra viver em condições assim”.
Ela diz poder pagar até R$ 30 mil, mas com esse valor só consegue comprar um quitinete (pequeno apartamento formado por um quarto, um banheiro e uma sala/cozinha). Para um trabalhador brasileiro, que ganha um salário mínimo de R$ 545,00 (piso atual), conseguir comprar uma casa nesse valor, teria que trabalhar durante cinco anos e guardar todo o dinheiro. Para adquirir um imóvel de R$ 50 mil teria que economizar durante oito anos, e um no valor de R$ 100 mil, 16 anos.
Um dos prováveis motivos para essa super valorização imobiliária seria a possibilidade da chegada de uma UPP (Unidade de Policia Pacificadora) no conjunto. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, a Maré estaria entre as favelas que devem receber esse Programa de Governo até 2014. Mas antes disso, existe a promessa da implantação de um Quartel General do Bope (Batalhão de Operações Especiais) na área, só que as obras ainda não tiveram início. No mês de julho, a imprensa noticiou que as comunidades receberiam incursões diárias da Tropa de Elite da Polícia Militar em agosto, mas o mês se encerrou sem qualquer movimentação da unidade.
Os grandes eventos esportivos, Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016, também são apontados como vilões dessa especulação. Esse fenômeno acontece em toda a cidade do Rio e é claro que nas favelas, como sendo parte da cidade e estando mergulhada na mesma lógica de mercado, não seria diferente. O corretor Aroldo Gomes diz que seus clientes alegam que se venderem suas casas por R$ 15 mil ou R$ 20 mil não conseguiriam comprar nada, nem mesmo em outras favelas, pois essa é a realidade brasileira atual.
Há sete meses no negócio, Aroldo Gomes, 40 anos, Corretor Autônomo e dono da Novo Lar Imobiliária, diz que entrou no ramo por perceber a necessidade, principalmente de pessoas de outras localidades, em entrar na comunidade para adquirir uma casa. “Os interessados, na maioria das vezes, têm parentes vivendo na favela e querem morar próximo a eles”. Outra constatação feita pelo corretor é de que as transações são feitas à vista, uma vez que as casas não têm RGI (Registro Geral de Imóveis), portanto, não podem fazer parte de qualquer financiamento. “Os clientes dizem conseguir o dinheiro para comprar a casa própria por meio de indenizações trabalhistas”, lembra.
Mariluci Nascimento, 31 anos, Historiadora e moradora da Nova Holanda, procura uma casa para comprar desde março, mas o altíssimo valor cobrado não tem permitido a realização do negócio. “As casas estão caríssimas. Vi uma na Vila dos Pinheiros que custava 95 mil reais, e não tinha nada de mais. Na Nova Holanda tem anúncios de casas nessa faixa. Totalmente fora da realidade. Onde moro atualmente, a infraestrutura não é legal, o esgoto vive entupido, vira e mexe falta água e quando chega o verão a falta de luz é constante. Gosto muito do lugar onde moro e não quero ir para outro bairro, mas acho um absurdo ter que pagar R$ 100 mil pra viver em condições assim”.
Ela diz poder pagar até R$ 30 mil, mas com esse valor só consegue comprar um quitinete (pequeno apartamento formado por um quarto, um banheiro e uma sala/cozinha). Para um trabalhador brasileiro, que ganha um salário mínimo de R$ 545,00 (piso atual), conseguir comprar uma casa nesse valor, teria que trabalhar durante cinco anos e guardar todo o dinheiro. Para adquirir um imóvel de R$ 50 mil teria que economizar durante oito anos, e um no valor de R$ 100 mil, 16 anos.
Um dos prováveis motivos para essa super valorização imobiliária seria a possibilidade da chegada de uma UPP (Unidade de Policia Pacificadora) no conjunto. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, a Maré estaria entre as favelas que devem receber esse Programa de Governo até 2014. Mas antes disso, existe a promessa da implantação de um Quartel General do Bope (Batalhão de Operações Especiais) na área, só que as obras ainda não tiveram início. No mês de julho, a imprensa noticiou que as comunidades receberiam incursões diárias da Tropa de Elite da Polícia Militar em agosto, mas o mês se encerrou sem qualquer movimentação da unidade.
Os grandes eventos esportivos, Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016, também são apontados como vilões dessa especulação. Esse fenômeno acontece em toda a cidade do Rio e é claro que nas favelas, como sendo parte da cidade e estando mergulhada na mesma lógica de mercado, não seria diferente. O corretor Aroldo Gomes diz que seus clientes alegam que se venderem suas casas por R$ 15 mil ou R$ 20 mil não conseguiriam comprar nada, nem mesmo em outras favelas, pois essa é a realidade brasileira atual.

Nenhum comentário:
Postar um comentário