| Investir em imóveis em BH rende muito mais que a Bolsa |
| ESCRITO POR O TEMPO |
O aquecimento da economia brasileira a partir de 2007 é a explicação apontada por especialistas para a grande valorização do mercado imobiliário do país. Entre 2007 e 2011, a valorização dos imóveis tem superado várias outras aplicações, inclusive o mercado de ações. Além da rentabilidade maior, os investimentos são de menor risco, pois não sofrem com crises na Bolsa de Valores ou com a liquidação de bancos. Segundo dados divulgados pelo presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG, Kênio de Souza Pereira, ao longo dos anos de 1990 até 2007, os CDBs e Fundos rendiam, em média, 20% ao ano. A partir de 2008, começou a ocorrer uma queda nesses rendimentos, que chegaram ao ano de 2010 com uma média de 9%. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o rendimento médio do ano de 2010 foi de apenas 1%. Já em Belo Horizonte, os imóveis valorizaram, entre 2004 e 2011, 207,45% - ou cerca de 1,27% ao mês. Neste período, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) rendeu cerca de 0,99% ao mês. "Havia uma demanda reprimida de pelo menos três décadas, e o aquecimento da economia aliado aos incentivos governamentais deram esse desempenho ao setor", explica o presidente da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Ariano Cavalcanti de Paula. Segundo ele, foi preciso uma valorização sem precedentes para que o investimento no setor passasse a ser atraente, isso em função das altas taxas de juros reais no Brasil (as maiores do mundo), que desestimulam investimentos em outros ativos. Na avaliação de Cavalcanti, existe uma defasagem no preço dos imóveis que vem se acumulando desde a década de 1980. Em Belo Horizonte, soma-se a isso a escassez de terrenos em algumas regiões (como a Centro-Sul), a nova lei de uso e ocupação do solo da capital, que diminuiu o potencial construtivo dos lotes, e os investimentos em regiões específicas da cidade, como o vetor Norte. O resultado desta combinação de fatores foi a grande alta no preço dos imóveis. Valorização Um apartamento de três quartos no bairro Funcionários, região Centro-Sul de Belo Horizonte, com três quartos, 95 metros quadrados, duas vagas na garagem e 20 anos de uso, valorizou 108% apenas nos últimos três anos. Uma residência do mesmo padrão, na mesma região, mas com apenas três anos de uso, teve seu preço aumentado em 89,88% de 2008 a 2011, segundo dados divulgados pela CMI/Secovi. Um terreno, de 600 metros quadrados, na região Centro-Sul, a mais cara de Belo Horizonte, teve valorização de 600% entre 2009 e 2011. Segundo Kênio Pereira, nos últimos dois anos, a valorização em Belo Horizonte pode chegar a 300%. Na capital, existem apenas 20 mil lotes vagos, o que deve sustentar o preço alto dos terrenos e dos imóveis. (clique na imagem para ampliar) Maiores altas serão onde faltam terrenos A escassez de terrenos nas principais regiões de Belo Horizonte tem levado alguns investimentos imobiliários para outras regiões da cidade e até mesmo para a região metropolitana. O presidente da construtora Miriam Dayrrell, Adriano Sampaio, confirma a acomodação no valor médio dos imóveis, mas diz que a alta de preços ainda será observada com mais intensidade em determinadas áreas da cidade. "O vetor Norte, com a construção da Cidade Administrativa e de outras obras de infraestrutura, ainda deve crescer bastante, o mesmo não deve ocorrer na região Sul e nas proximidades de Nova Lima", diz. Ainda segundo ele, o setor deve voltar a se aquecer com a realização da Copa do Mundo de 2014 e até mesmo com as Olimpíadas de 2016. Escolha deve ser feita em conta na ponta do lápis O coordenador do curso de Administração do Ibmec-BH, Eduardo Coutinho, diz que a decisão entre a compra ou o aluguel de um imóvel deve ser tomada na ponta do lápis. "Atualmente o valor do aluguel é de cerca de 0,5% do valor do imóvel. Para saber se vale a pena comprar um imóvel ou alugá-lo, é preciso simular um financiamento e apurar o valor do aluguel". No entanto, segundo ele, é preciso levar em conta uma série de fatores, como a região em que o apartamento está localizado. "É melhor morar de aluguel em um apartamento amplo e bem localizado, do que em um imóvel próprio pequeno e distante", diz. Para o investidor, a conta que deve ser feita é a do valor do parcela. Em muitos casos, é possível conseguir um financiamento em que o valor mensal é menor do que o preço do aluguel na região. Nesse caso, locando o imóvel financiado, o investidor quita as parcelas com o valor recebido pelo aluguel. |

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