terça-feira, 25 de outubro de 2011

Para ajudar economia, EUA fazem reforma em programa para refinanciar imóveis


The Wall Street Journal
As autoridades americanas de regulamentação do mercado de hipotecas anunciaram segunda uma reforma abrangente de um programa de refinanciamento pouco utilizado e que foi criado para ajudar milhões de americanos que enfrentam o forte declínio do valor de seus imóveis.
O plano é a tentativa mais recente da Casa Branca de enfrentar um dos maiores obstáculos à recuperação da economia – a estagnação do mercado imobiliário que é causada, em parte, pelo excesso de mutuários da casa própria que não conseguem refinanciar a hipoteca.
Brandon Sullivan for The Wall Street Journal
Christine Penunuri em sua casa em Gilbert, no Arizona, que ela vem tentando refinanciar, sem sucesso.
A reforma vai eliminar limites anteriores e permitir que os tomadores refinanciem sem importar quanto o valor de suas casas caiu, entre outras coisas. Isso pode permitir que um número vasto de tomadores em Estados como Nevada, Arizona, Flórida, Califórnia e outros, que estão pagando juros altos em empréstimos muito maiores que o valor de suas casas, refinanciem os créditos. O presidente Barack Obama planejava anunciar a reforma em Las Vegas nesta segunda.
O plano vai facilitar o processo de refinanciamento com a eliminação da necessidade de avaliar o imóvel e dar garantias amplas para a maioria dos tomadores, contanto que os mutuários não estejam com a hipoteca atrasada, segundo autoridades e um integrante da Agência Federal de Financiamento Imobiliário dos EUA. As hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac já aceitaram eliminar algumas taxas que tornam o refinanciamento menos atraente para alguns.
A reforma é voltada para beneficiar mutuários como Christine e Hector Penunuri, de Gilbert, no Estado do Arizona, que nunca atrasaram as prestações, estão empregados e têm bom histórico de crédito. Mas o pedido deles para refinanciar a casa de cinco quartos, cujo valor caiu, foi negado este ano porque a declaração de imposto de renda do casal mostrou um prejuízo de US$ 1.000 para o lançamento de empreendimento de Hector, que nem é o trabalho principal dele.
É "absurdo", diz o corretor de hipotecas deles, Steve Walsh, de Scottsdale, também no Arizona, porque o empréstimo já é garantido pela hipotecária Freddie Mac, que é avalizada pelo governo.
Os Penunuris podem economizar US$ 350 por mês se refinanciarem os juros do empréstimo deles dos atuais 5,75% para 4%. Eles então usariam o dinheiro para pagar atividades esportivas para os filhos, tirar férias em família e quitar dívidas, diz Hector, de 41 anos. "Todo mundo ganha."
A Freddie Mac não quis comentar a rejeição do pedido de refinanciamento dos Penunuris. A Freddie Mac e a Fannie Mae, que também atua no mercado hipotecário, garantem juntas cerca de metade dos US$ 10,4 trilhões em financiamentos habitacionais do país.
O que as autoridades estão fazendo agora é modificar uma iniciativa lançada há dois anos chamada Programa de Refinanciamento para Baratear a Casa Própria, ou Harp na sigla em inglês, que permite aos tomadores que já quitaram menos de 20% do empréstimo refinanciar caso suas hipotecas sejam garantidas pela Fannie Mae ou a Freddie Mac. O presidente Obama anunciou o Harp cerca de um mês depois de assumir o governo. Até agora apenas 894.000 tomadores usaram o programa, dos quais apenas 70.000 deviam significativamente mais que o valor atual de seus imóveis.
"Não funcionou", disse num discurso mês passado James Parrott, que é assessor econômico da Casa Branca. Autoridades da Agência Federal de Financiamento Imobiliário, que regulamenta a Fannie e a Freddie, calculam que há entre 800.000 e 1 milhão de tomadores que podem refinanciar seus empréstimos. "É do nosso interesse que esses tomadores refinanciem a juros mais baixos e continuem pagando" as prestações, disse uma autoridade da agência.
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