domingo, 25 de dezembro de 2011

Interessante para as construtoras, verticalização nem sempre é bem vista pelos proprietários de casas

Estado de Minas - 

Eles se sentem invadidos em sua privacidade com as investidas constantes


Assediado por construtoras, Davi Castelo Branco Avelar se recusa a vender sua casa

Para a diretora da Construtora Ágata, Dilma Salles, comprar o terreno de Antônio Savino Campos foi um grande negócio. O imóvel ficava em um local onde não há mais lotes vagos e faltam terrenos. “Compramos a casa do senhor Antônio e a que ficava ao lado, em uma área valorizada do Gutierrez, plana, em que não existem rampas.”

Com isso, o terreno de 888 metros quadrados (m²), onde ficavam as duas casas, em breve será ocupado por um prédio de 11 pavimentos, com 13 apartamentos. O empreendimento terá área de lazer com piscina, sauna com repouso, espaço gourmet e fitness, além de salão de festas e de jogos. Diante dessa infraestrutura, Dilma Salles acredita que a verticalização é benéfica. “Há um melhor aproveitamento das áreas. Essas casas, por exemplo, nas quais moravam apenas duas famílias, deram lugar e espaço para 13 outras morarem.”

Outra construtora que conseguiu obter um terreno em local privilegiado foi a Lider. A área tem dois lotes de 600m² cada, totalizando 1.200m², no Bairro de Lourdes, na região da Praça Raul Soares, como conta a gerente de projetos da construtora, Gisele Vieira Brandão. No espaço será construído um edifício com 13 andares, totalizando 28 apartamentos. “Na área de lazer teremos sala de jogos e lounge, biblioteca, adega, espaço e terraço gourmet, salão de festas com cozinha, fitness, sauna e piscinas adulto e infantil”, detalha.

Devido à quantidade de recursos disponíveis em um só espaço e à localização privilegiada, Brandão também aponta a verticalização como positiva. “Permite maior concentração nas áreas de comércio e serviços e nas áreas de maior demanda. Isso facilita a vida das pessoas, que não precisam se deslocar muito para chegar aos locais de trabalho”, fala.

Ambos os casos se encaixam no processo, verificado principalmente nos grandes centros urbanos do país, onde se nota a verticalização junto às áreas centrais das cidades e aos polos econômicos da região, conforme analisa Júlio Tôrres, arquiteto e diretor da Torres Miranda. “Em Belo Horizonte, a Região Centro-Sul foi a que mais teve esse processo intensificado na última década, por atrair pessoas tanto em busca de negócios quanto para morar.”

ASSÉDIO

Mas nem todos cedem às investidas constantes das construtoras, que podem ser consideradas uma invasão de privacidade, de acordo com o psicólogo Davi Castelo Branco Avelar. Morador de uma casa no Bairro Anchieta, Região Sul de BH, área com as características apontadas por Tôrres, ele já foi procurado por construtoras várias vezes, mas recusa-se a sair do local onde nasceu.

Avelar conta que sempre tem um corretor que passa pela rua e pergunta se quer vender, mas ele sempre responde que a casa não está à venda. “Todo fim de ano, várias imobiliárias deixam garrafa de vinho com cartão. Dizem que quando quiser vender é só falar. Por um lado, acho esse assédio interessante, porque percebo que o imóvel está valorizado. Por outro, incomoda. É como se quisessem me tirar do meu espaço”, diz.
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2 comentários:

Anônimo disse...

O grande problema das construções verticais, é que junto a esses grandes projetos, não se agregam outros projetos de infra-estrutura pertinentes às novas adequações de espaço, como ruas maiores e capacidade maior de geração de energia, abastecimento de água e esgoto, e outras condições naturais ao aumento da futura população no local. Se previssem pelo menos o enlarguecimento das ruas para a quantidade de carros que se agregará à demanda no local, não teria problema...

Don Foca disse...

Verdade, a grande maioria destes empreendimentos é feito sem nenhum planejamento de impacto na infra-estrutural já existente.

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