Penhora de imóveis dispara este ano. O crédito em cobrança duvidosa do sector atinge mais de 12 mil milhões de euros
O número de penhoras de imóveis está a crescer a um ritmo galopante e deverá este ano bater todos os recordes. De Janeiro a Outubro, famílias e promotores imobiliários entregaram 5200 imóveis à banca por incapacidade em continuarem a pagar os créditos.
Segundo a avaliação da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), a devolução de casas às instituições bancárias disparou 17,7% nos primeiros dez meses do ano face a igual período de 2010. Feitas as contas, os bancos receberam em dação cerca de 17 imóveis por dia. O mês de Outubro foi até agora o pior deste ano, ao serem entregues à banca 690 imóveis. “O resultado obtido no último mês é o pior deste ano e representa o corolário de três meses consecutivos de agravamento deste fenómeno, transversal ao território nacional”, explica a APEMIP.
O contexto económico adverso - fruto do desemprego recorde e agravado pela entrada em vigor de novas medidas de austeridade como o aumento dos impostos - justifica o crescimento do incumprimento no crédito à habitação. Segundo as estatísticas do Banco de Portugal, o malparado na habitação voltou, em Outubro, a fixar um novo recorde, ultrapassando, pela primeira vez desde que há registos, 2100 milhões de euros. Este montante representa 1,85% do total do financiamento concedido às famílias para a compra de casa. No total, considerando os empréstimos para consumo e outros fins, o malparado das famílias atingiu um novo recorde, 3,34% do crédito concedido, o equivalente a 4.695 milhões de euros.
Perante este nível de incumprimento, o número de penhoras de imóveis continua a crescer, já que, na maioria dos empréstimos, as casas são a garantia do financiamento.
As áreas metropolitanas de Lisboa e Porto concentram 46,4% das devoluções de imóveis entregues em dação em pagamento. “O arrefecimento do mercado imobiliário afectou de forma bastante significativa os que investiram na promoção imobiliária e no desenvolvimento de novos projectos e empreendimentos, pelo que parte significativa dos imóveis entregues em dação em pagamento provêem destes actores, em particular, em municípios como os de Alcochete, Loulé, Ponta Delgada e Vila do Conde”.
Ainda de acordo com as estimativas da Associação, até Outubro foram transaccionados entre 160 mil a 165 mil imóveis. Mais uma vez foram as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto a concentrar o maior número de negócios realizados este ano em Portugal (31,8%).
Outro dos indicadores que demonstra a crise do mercado imobiliário é o facto de 37 municípios portugueses (de um total de 308 concelhos) “continuarem sem garantir a concretização de pelo menos 100 negócios imobiliários ao longo dos dez primeiros meses do ano (a média mensal é inferior a dez transacções) ”, revela a APEMIP.
O aumento do malparado não se restringe aos particulares. Nas empresas, superou, pela primeira vez, os 6% (7.142 milhões). O crédito em cobrança duvidosa das empresas e famílias aproxima-se dos 12 mil milhões de euros.

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