sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A tecnologia da construção

Diário de Pernambuco -

Industrialização dos processos construtivos visa reduzir custos, diminuir o tempo e racionalizar as obras


Analise a atual fase do mercado imobiliário pernambucano. Projetos residenciais e comerciais aqui e ali, construtoras expandindo negócios, sustentabilidade em alta, valorização. É algo jamais visto e o dinamismo tomou conta do setor da construção civil. Do ponto de vista tecnológico, uma nova cultura está surgindo: a industrialização dos processos construtivos.

A ideia consiste em ferramentas capazes de reduzir custos, diminuir o tempo de construção e racionalizar as obras. Uma delas começa a ganhar espaço no mercado pernambucano, a de paredes de concreto celular ou concreto celular espumoso. O sistema utiliza a combinação de concreto com aditivos e fibra de polipropileno, injetados em formas de alumínio.
A construtora Cinkel está utilizando a técnica na construção de 500 casas populares de um projeto em Moreno (Cinkel/Divulgação)
A construtora Cinkel está utilizando a técnica na construção de 500 casas populares de um projeto em Moreno


Segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland em Pernambuco (ABCP-PE), a tecnologia permite mais fluidez dos produtos, conforto térmico e rapidez na obra. Tudo porque as formas (untadas com desmoldantes) são colocadas em torno das paredes do imóvel armada em telas, já com os espaços reservados para instalações elétricas e hidráulicas, portas e janelas. E o canteiro permanece limpe e livre - na construção civil tradicional, 20% do material usado são descartados.

"A tecnologia reduz a praticamente zero os resíduos no canteiro de obras, é resistente e dispensa o uso do chapisco. O acabamento é mínimo, apenas com pintura", explica Eduardo Moraes, gerente regional da ABCP-PE. Doze horas são suficientes para retirar as formas após a concretagem. Elas podem ser utilizadas mais de cinco mil vezes, inclusive em projetos de quatro pavimentos.

A construtora Cinkel está utilizando a técnica na construção de 500 casas populares do projeto Parque Residencial Moreno, na PE-07. As paredes ficam prontas em apenas um dia e o ganho é de 50% no tempo total da obra. "Montamos as formas pela manhã e à tarde concretamos com nossa tecnologia. No outro dia retiramos os moldes com a estrutura pronta", diz Roberto Kelner, diretor da Cinkel.

Kelner pretende expandir a técnica para projetos maiores, já que em outras regiões ela é utilizada em projetos com até 18 pavimentos. Outra construtora que utiliza técnica semelhante (concreto convencional) é a Carrilho, nas obras de 704 apartamentos, no Janga e em Peixinhos. "Na falta de mão de obra especializada, a técnica permite a eliminação de outras funções de acabamento, como pintura e reboco", completa Fábio Hatem, engenheiro civil da Carrilho.
Blog Widget by LinkWithin

Nenhum comentário:

Postar um comentário