terça-feira, 13 de março de 2012

Consórcio imobiliário: teto vai a R$ 700 mil

Diário do Nordeste - 

Sinduscon-CE acredita que medida não deverá ter repercussão no mercado de imóveis do Estado do Ceará

São Paulo/ Fortaleza. Banco do Brasil e o Itaú Unibanco mais que dobraram o valor máximo da carta de crédito do consórcio para a compra da casa própria, passando de R$ 300 mil e R$ 250 mil, respectivamente, para R$ 700 mil. A medida foi estimulada pela forte valorização imobiliária observada no País nos últimos anos. No Ceará, porém, essa medida não terá a mesma repercussão quanto em outros estados com imóveis avaliados com maior valor. "No nosso mercado não há o mesmo volume que em estados maiores. Não haverá representatividade alguma", afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Roberto Sérgio Oliveira. Outros bancos que atuam no setor - Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Santander - mantêm produtos até R$ 300 mil.

"Os clientes procuravam contratar mais de uma carta de crédito para adquirir um imóvel. Criamos esse grupo para atender a essa demanda", diz Luis Matias, vice-presidente de consórcios do Itaú Unibanco.

Em São Paulo

Segundo o executivo, houve uma "forte adesão" em São Paulo, que responde por 35% dessas cotas. "A valorização imobiliária no Estado naturalmente proporcionou essa demanda por grupos com valores mais altos".

O preço médio do metro quadrado de lançamentos com dois dormitórios teve alta de 112% na capital paulista nos últimos cinco anos, segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). O diretor de empréstimos e financiamentos do Banco do Brasil, Marcelo Augusto Dutra Labuto, também aponta que o público-alvo são clientes que vivem em regiões onde o preço dos imóveis teve forte alta.

"Além disso, foi identificado um crescente interesse na aquisição de imóveis comerciais, que possuem geralmente um custo total mais elevado", acrescenta.

Para Francisco Coutinho, diretor-executivo da Rodobens Consórcio, outra grande empresa que atua nesse segmento, com limite de R$ 400 mil, os interessados nas cartas com maior valor são pessoas que buscam um "upgrade" na casa própria. "Geralmente, são famílias que já têm imóvel próprio e adquirem o consórcio para mudar para um maior ou mais bem localizado".

Para William Rachid, superintendente da área de consórcio da Porto Seguro, também forte nesse segmento, os R$ 400 mil de teto oferecidos pela empresa são suficientes para atender o mercado porque, acima disso, seria "mais difícil fechar a conta", referindo-se ao fundo comum.
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