segunda-feira, 19 de março de 2012

Não desvalorize o imóvel

Jornal da Comunidade - 

Qualquer proprietário, quando deseja se desfazer de sua casa ou apartamento, tenta conseguir bom preço e para isso investe em reformas equivocadas que só trazem prejuízo

Foto: Dênio Simões/Cedoc

A mudança do desenho original da planta do imóvel é sempre perigosa. Afinal, nem tudo que o proprietário valoriza é reconhecido como tal pelo mercadoQuem deseja apressar a venda do imóvel e obter preço coerente com o mercado deve mantê-lo bem conservado. Mas isso não significa investir em reformas caríssimas. Realizar uma pintura e atualização de pisos ou azulejos até pode, mas nada que vá além disso. O ideal é deixar a reforma para quem compra o imóvel.

Muitas vezes, na tentativa de valorizar o imóvel, o proprietário acaba desvalorizando-o. A reforma para atender uma nova demanda do mercado, uma revitalização do imóvel ou atualização podem valorizá-
lo, mas é preciso cuidado com modismos e especificidades. “Os revestimentos cerâmicos de cor preta já estiveram em alta. Hoje, poucos se sentem confortáveis em um banheiro escuro. O mesmo vale para rejuntes coloridos e largos e até para sancas em gesso”, esclarece a engenheira Malú Guido, da Tecpro Engenharia.

O ideal é manter o imóvel sempre em boas condições. Impermeabilizações, ferragens, esquadrias, instalações, calhas e rufos devem ser verificados anualmente e isso não deixará o imóvel cair em desvalorização. “Pequenos consertos são sempre mais baratos e causam menos transtornos”, aponta Malú.

A mudança do desenho original da planta é sempre perigosa. Há projetos redesenhados que ganham vida, praticidade, tornam-se mais belos e, consequentemente, mais valorizados, assim como há projetos que nascem bons e, redesenhados, perdem a assinatura original. “Deve-se tomar cuidado com as especificidades pessoais. Nem tudo que o proprietário valoriza para si é reconhecido como tal pelo mercado”, alerta Malu.

Buscar auxílio de um profissional capacitado é o melhor a se fazer nessas situações. Os modismos e gostos pessoais costumam mudar com o tempo, além de não ser um padrão universal. “Não tente deixar o imóvel ‘a sua cara’. Se quer valorizá-lo, ele deverá ter a “cara do mercado”, alerta Malú.

Quando a reforma é perda de tempo



Foto: Gilda Diniz

Júnior Valadão diz que a Soltec atende o cliente de forma a evitar reformasReformar por completo o imóvel pode ser um desperdício de tempo e de dinheiro. Então, antes de sair por aí fazendo o que “der na telha”, melhor mesmo é buscar ajuda de um profissional na área para que o seu dinheiro não seja desperdiçado. “Se o cliente tiver a intenção de reformar a unidade com o único objetivo de comercialização, realmente pode ser tratado como desperdício de dinheiro, uma vez que o comprador posteriormente irá modificá-lo de acordo com seu gosto”, explica a superintendente de Desenvolvimento de Produto da Brookfield, Cíntia Martins Marquez.

As reformas nem sempre são investimento equivocado. Elas podem trazer melhorias para as unidades. Quanto ao desperdício de dinheiro, isso é relativo, uma vez que o cliente gasta em algo que realmente lhe trará bem-estar. “Porém, ele não pode gerar expectativa de que o valor gasto na reforma da unidade conseguirá ser repassado ao valor do mesmo, caso queira comercializá-lo”, analisa Cíntia.

Ao reformar, é importante pensar duas vezes antes de tomar decisões e fazer mudanças drásticas. “Modificar a parte estrutural ou transformar apartamentos de quatro quartos em um loft ocasionará, sim, uma venda baixíssima, pois o comprador gastará muito dinheiro para deixá-lo novamente parecido com a planta original”, informa Cíntia.

Júnior Valadão, gerente de Qualidade da Soltec Engenharia, garante que, ao projetar edifícios, é estudada detalhadamente a melhor opção de divisão dos ambientes para o tipo de imóvel proposto.

Quando existe possibilidade de versatilidade em algum ponto, é comum oferecerem aos clientes opção, no ato da venda, evitando assim que eles precisem, no futuro, fazer alguma reforma. Os demais projetos, de estruturas e instalações, são feitos tendo como base a planta oferecida pela construtora. “Dessa forma, fica, de fato, muito difícil fazer uma reforma completa que consiga uma melhoria, com a estrutura predefinida”, avalia.

Os detalhes que podem fazer a diferença


Foto: Divulgação

Existem formas de reformar o imóvel sem que ele caia de preço no mercado imobiliário. Mudanças cujo foco são o acabamento, geralmente, não trazem prejuízo. “Colocar um piso melhor que o oferecido, detalhes em gesso, painéis e adornos diversos podem valorizar o imóvel”, destaca o gerente de Qualidade da Soltec Engenharia, Júnior Valadão.

Evite eliminar banheiros extras ou diminuir a cozinha para ganhar espaço na sala ou no quarto. Esse tipo de mudança não é indicado para quem quer o imóvel de acordo com o valor de mercado. Outro erro é a conversão de closets em escritórios ou, simplesmente, diminuir a largura de corredores e números de janelas.

Existem reformas que, além de darem velocidade na venda do imóvel, podem encher os olhos do comprador. São as reformas de cunho estético. Estas podem ser modificadas, trocadas sem qualquer prejuízo. Um exemplo disso são as atualizações de pisos e cores, umidade no teto, paredes, ou seja, tudo que é básico. “O cliente pode reformar o imóvel sem causar grandes impactos. Caso queira trocar revestimentos, pintura ou retirar alguma parede que possa ser reposta facilmente, este imóvel não se desvaloriza e melhora o aspecto visual”, confirma Cíntia Martins.

Quanto às partes elétrica e hidráulica, se for para moradia, as reformas deverão ser completas, sob pena de ficarem mais caras no futuro. Porém, se forem para comercialização, deverão ser somente o imprescindível, uma vez que o comprador possivelmente irá alterar a planta e, consequentemente, serão alteradas as partes elétrica e hidráulicas.
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