Diminuição da procura e atendimento da demanda reprimida contribuíram para normalização do setor. ...
Os preços praticados no mercado imobiliário carioca – e de vários outros estados – estavam deixando os potenciais compradores de cabelo em pé. Com a aproximação de grandes eventos esportivos, como as Olimpíadas em 2016 e a Copa do Mundo em 2014, foi necessário investir em infraestrutura, impulsionando o aumento no valor dos imóveis. “Depois de quase quatro anos em ascensão, os preços finalmente estão dando uma trégua e vão começar a desacelerar”, observa Freitas, vice-presidente da Associação Brasileira de Advogados do Mercado Imobiliário (ABAMI).
O especialista ainda aponta outro fator que provocou a alta nos preços. O aumento da demanda causou um reboliço para as construtoras. Faltou tudo. Mão-de-obra qualificada, insumos e até equipamentos utilizados na construção civil. “As empresas não estavam preparadas, em face, do longo tempo em que o mercado permaneceu praticamente estagnado e o resultado foi atraso na entrega das obras e valorização dos imóveis acima do esperado. No Rio de Janeiro os valores cobrados praticamente dobraram nos últimos quatro anos. Muitos compradores se assustaram, a procura começa a diminuir e os preços estão começando a se estabilizar”, aponta.
Não foi apenas a desconfiança de quem estava em busca de um imóvel que estimulou a desaceleração. Grande parte da demanda que estava reprimida foi atendida e agora a tendência é a normalização do mercado. Quem pensa em adquirir uma casa ou apartamento já consegue encontrar descontos e ganhar benefícios para fechar o negócio. “A estabilização não significa que os valores vão diminuir, mas que vão ficar estabilizados por um período. Pelo menos até o ano que vem não é possível prever reduções nos preços dos imóveis”, esclarece.
Freitas avalia a situação com cautela e afirma que mesmo com a tendência de estabilidade é possível haver valorização em algumas regiões e estabilidade em outras, mas não haverá grandes surpresas como ocorreu anteriormente. “A previsão é que os valores acompanhem a inflação do setor. Isto será positivo para os compradores, tendo em vista que só em 2011 houve uma valorização de 26,3% no mercado imobiliário, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)”, enfatiza Freitas, diretor de locações do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI).
Os preços de locação de imóveis também estão perto do limite, o que pode indicar uma possível estabilização nos próximos meses. Por enquanto só não há boas notícias com relação ao mercado de imóveis comerciais. “Para a compra de imóveis comerciais o cenário é de elevação nos preços, diante do crescimento da atividade econômica que se verifica no estado, o que viabiliza que várias pessoas e empresas procurem este tipo de imóvel, para se instalarem em suas atividades, como também, visando retorno financeiro com a sua comercialização posterior ou locação. Neste caso não há pressa para vender”, destaca o advogado, professor da pós-graduação em Direito Imobiliário no convênio NUFEI (Núcleo de Formação em Excelência Imobiliária).

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