quinta-feira, 22 de março de 2012

Retrofit de prédio no centro de Porto Alegre ajuda a preservar história do local

Pense Imóveis - 

A reforma completa do edifício Realeza, cujo orçamento ficou em torno de R$ 1,5 milhão, deve ser totalmente concluída em julho de 2012, segundo a Fork Projetos, responsável pelo projeto


Você já ouviu falar de retrofit? Pois esse processo que revitaliza edificações e ambientes antigos, adequando-os ao contexto atual ganha cada vez mais espaço no Brasil. Reformas deste tipo estão dando outra cara ao Centro Histórico de Porto Alegre, por exemplo. O edifício Realeza, em frente ao Chalé da Praça XVI, é boa amostra disso. O prédio passou por uma reforma geral, não só externa como internamente. Essa é uma maneira de preservar a história da cidade, como explica o arquiteto Rodolfo Fork, da Fork Projetos, responsável pelo projeto do Realeza.



O edifício Realeza antes e depois da obra


Antes de mais nada é preciso diferenciar "retrofit" de "empacotamento". Eles não são a mesma coisa, esclarece Rodolfo Fork. "'Empacotamento' consiste em apenas alteração da área de fachada da edificação, enquanto retrofit consiste em revitalizar e atualizar uma edificação aumentando sua vida útil e sua estética valorizando a edificação e a região na qual ela se encontra", explica.



Centro de Porto Alegre antes da obra no Realeza


De acordo com o arquiteto, o retrofit requer uma alteração em toda a edificação desde as infraestruturas, como nas redes elétricas e hidrossanitárias e também no reforço de estruturas. "Na maioria dos casos é necessário adequação das plantas dos pavimentos retirando paredes para adequar ao novo uso dos espaços", completa ele.



Obras no Realeza devem chegar ao fim em julho de 2012


Retrofit do Realeza
O edifício Realeza, no centro de Porto Alegre, não foi "empacotado" como alguns pensam. "Em tese o empacotamento seria revestir a fachada criando apenas uma nova cara para a edificação, e não é isto que foi feito no Realeza", afirma Fork.



A reforma do Realeza teve um orçamento em torno de R$ 1,5 milhão


As mudanças não foram só no "lado de fora" do prédio. "O trabalho feito foi de readequação dos espaços, modernizando os usos e ampliando o potencial de ocupação. Para isso foi feito um levantamento minucioso das condições em que o prédio se encontrava e se elaborou um estudo focado no interesse comercial do propreitário", explica o arquiteto.



O edifício Realeza também foi reformado internamente


Mudanças internas

A fachada do edifício Realeza é a principal mudança percebida pela população, mas, segundo Rodolfo Fork, internamente, o prédio foi praticamente todo reformulado. "Para atender aos novos usos, mantivemos a posição da escada e dos elevadores o resto todo foi alterado, criando pavimentos com plantas livres, onde cada sala contará com seu banheiro privativo. Também foi feita toda uma adequação para se atender as novas normas de prevenção de incêndio", diz.

O projeto procurou conservar a estrutura principal do edifício. Fork explica: "este é um prédio de estrutura independente de concreto constituído por pilares e vigas. Com o intuito de ampliar as possibilidades de ocupação procuramos manter a estrutura principal, criando uma planta mais livre possível."


Intervenções x história

Para Rodolfo Fork, este tipo de intervenção em regiões como centros históricos das cidades é muito positiva. Segundo ele, a arquitetura faz parte da paisagem, criando o "cenário" do cotidiano das pessoas. "A partir do momento em que os elementos deste cenário que nos rodeia recebem um tratamento de revitalização, toda a região passa a ter um aspecto de 'mais cuidada'", afirma.

Além disso, diz Fork, a auto-estima do local é resgatada como consequência natural deste processo e isso gera uma reação em cadeia. “Os frequentadores destes locais passam a valorizar e cuidar mais dos espaços, tornando o ambiente mais 'vivo'. Locais com mais vida são locais mais seguros e tendem a demorar mais a se degradar."

O arquiteto afirma que a história de cada cidade está ligada não só à cara de suas edificações, mas também ao modo como elas se relacionam com o entorno; ao visual que um conjunto de prédios cria no horizonte da cidade e ao impacto que certas intervenções têm no fluxo de pessoas e nos espaços públicos.

Por esses motivos, alerta Fork, que intervenções como a do Realeza devem ser feitas com cautela, respeitando os locais e suas histórias. Ele afirma que edificações com grande valor arquitetônico devem ser preservadas. "Edificações antigas podem passar por um processo deretrofit, desde que se respeite a arquitetura do espaço, valorizando e modernizando a região de forma criteriosa, com isto destacando ainda mais a beleza das edificações históricas, dignas de trabalho de restauração", diz.

"No caso do Realeza, utilizamos uma pele de vidro reflexivo na fachada para que, além de modernizar, o mesmo refletisse o céu para que quem circulasse pelo largo Glênio Peres e pela Praça XV e para quem estivesse nas edificações vizinhas vislumbrasse o reflexo das pessoas circulando pela região", diz ele, completando que esse projeto é mais uma forma de se revitalizar o Centro Histórico de Porto Alegre.

Previsão de término

A reforma completa do edifício Realeza, cujo orçamento ficou em torno de R$ 1,5 milhão, deve ser totalmente concluída em julho de 2012, de acordo com o arquiteto Rodolfo Fork. As obras iniciaram no começo de 2011, três anos depois dos estudos arquitetônicos terem inicio.

O novo edifício Realeza abrigará salas comercias nos pavimentos e, no nível da rua, continuará com o comércio local.
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