Queda: chuva causou sobrepeso no imóvel da esquina das ruas da Relação e do Lavradio | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Queda: chuva causou sobrepeso no imóvel da esquina das ruas da Relação e do Lavradio | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Segundo o presidente do Bola Preta, Pedro Ernesto Marinho, a parte que desabou, o segundo andar do imóvel, não era usada há oito meses após surgirem rachaduras. Interditado desde 3 de março pela Defesa Civil Municipal, o local receberia obras de revitalização em licitação pela prefeitura, que bancaria a reforma. Após queda de reboco da fachada, a Defesa Civil constatou o risco de desabamento. Em 11 de abril, após de denúncias de moradores da região, o Crea voltou ao sobrado e observou problemas estruturais, telhado podre, necessidade de escora e perigo de ruir.

“A gente não poderia precisar se o imóvel cairia hoje ou amanhã, mas estava evidente que aconteceria”, afirmou o conselheiro do Crea Antônio Eulálio. Segundo ele, a chuva de segunda-feira provocou o sobrepeso do telhado, que desabou empurrando a parede por sobre a calçada.

Não era preciso ser especialista para perceber o perigo. Dona de restaurante vizinho ao sobrado, Marizé Jordan conta que empresas da região aconselhavam seus funcionários a não frequentar estabelecimentos próximos ao imóvel que desabou: “Eu estava perdendo vários clientes. Muitos preferiam não arriscar. Meu estabelecimento não sofreu dano, mas vai ficar fechado por tempo indeterminado”. Após o incidente, três imóveis vizinhos foram interditados.
Vistorias são insuficientes, diz Crea
O conselheiro do Crea Antônio Eulálio alerta para a necessidade de vistoria rotineira por órgãos públicos. Ele cita a Rua Salvador de Sá, no Centro, como um dos focos do problema: “Há oito anos fizemos amostragem de prédios em situação de risco.
Imóvel, que abriga sede do Cordão da Bola Preta, cai parcialmente na esquina das ruas do Lavradio e da Relação e assusta pedestres | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Imóvel cai parcialmente na esquina das ruas do Lavradio e da Relação | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Eram centenas, e alguns deles caíram. Não há política pública de valorização de prédios históricos”. Secretário municipal de Conservação, Carlos Osório disse que a prefeitura enviará à Câmara Municipal projeto de lei que permita punir donos de imóveis malconservados.
Entraves para revitalização
O presidente do Cordão da Bola Preta, Pedro Ernesto Marinho, afirma que esperava decisão judicial para iniciar reforma no prédio. O Bola Preta receberia R$ 2,8 milhões da prefeitura para restaurá-lo, mas liminar obtida em setembro impediu as obras. A decisão foi revogada em 16 de abril. Cabe recurso.

O sobrado pertence à Rio Trilhos, do governo estadual, que cedeu o imóvel ao Bola Preta em 2009. Mas o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) reivindica na ação judicial a cessão do espaço. Segundo Fernando Bandeira, presidente do Sinpol, a RioTrilhos cedeu o imóvel para o sindicato em 2003. Uma reforma de R$ 600 mil teria sido feita. Mas o grupo foi despejado em 2008.

Em nota, a RioUrbe reafirmou compromisso de recuperar a sede do Bola Preta assim que a ação judicial for resolvida.
Há 4 meses, tragédia na Cinelândia
O desabamento de mais um prédio no Centro do Rio levou pânico à população que estava perto do local e fez o carioca relembrar a tragédia ocorrida há quatro meses. Na noite de 25 de janeiro, três prédios desmoronaram na Avenida Treze de Maio, na Cinelândia, matando 22 pessoas. Até hoje, famílias aguardam notícias de cinco vítimas desaparecidas.
Curiosos observam local do desabamento na Avenida Treze de Maio | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Curiosos observam local do desabamento na Avenida Treze de Maio | Foto: Severino Silva / Agência O Dia


O inquérito policial que apura as causas do desabamento foi transferido da Polícia Civil para a Polícia Federal e ainda não foi concluído. A provável causa apontada nas investigações seriam obras estruturais que estavam sendo feitas no 3º e no 9º andares do Edifício Liberdade pela empresa Tecnologia Organizacional (TO). Funcionários admitiram terem retirados paredes estruturais do prédio de 18 andares, para ampliar a área interna.

A planta original do prédio feita em 1938 previa 15 andares, com recuo. Mas os construtores acrescentaram mais três pavimentos e subsolo. Dez anos depois, os donos do imóvel receberam autorização para fazer outra obra de extensão nos três últimos andares. Segundo especialistas, as intervenções podem ter sobrecarregado a estrutura do prédio.