Valor da mensalidade de um financiamento de R$ 100 mil cai entre R$ 20 e R$ 40
Se você está entre os milhões de brasileiros que sonham com a casa própria e já começava a comemorar as medidas anunciadas hoje pela Caixa Econômica Federal — que aumentou de 30 para 35 anos o prazo máximo para pagamento do crédito imobiliário e reduziu os juros do financiamento de 9% para 8,85% ao ano — é recomendável pegar lápis e papel e fazer as contas.
— Vale a pena pagar cinco anos a mais para economizar R$ 20 ou R$ 40 por mês? — pergunta Visconti e completa: — Ampliar o prazo de financiamento não faz o cliente procurar mais crédito nem aumenta sua capacidade de pagar porque depois de um determinado prazo, o financiamento imobiliário é muito mais sensível à taxa de juros que ao limite de tempo para pagar.
O economista Roberto Zentgraf concorda. Para ele, a medida é mais um incentivo ao crédito, mas dificilmente vai provocar mudanças, já que a redução das prestações, mesmo em financiamentos mais altos, é muito pequena.
— Talvez só faça diferença para pessoas mais jovens, que com prazo maior para pagar, possam resolver pegar o crédito mais cedo. Mas não acredito que a medida tenha força suficiente para aumentar a procura pelo financiamento até porque os imóveis ainda estão muito caros e não acho que o valor da prestação seja o motivo pelo qual a procura por financimento imobiliário vem diminuindo — analisa.
Já o economista Marcus Vinícius Valpassos acredita que a mudança dê algum espaço para o aumento das vendas, mas nada muito significativo.
— A redução no valor da prestação vai girar em torno dos 4%. Isto significa que uma família com determinada renda pode arcar com imóveis até 5% mais caros do que podia anteriormente pagando a mesma prestação.
Os três economistas também não acreditam que o prazo mais longo vá aumentar a inadimplência, já que ela está ligada à capacidade de pagar e não ao tempo de pagamento.
— O mais importante para a inadimplência é a velocidade da amortização do saldo devedor e, em ambos os casos, ela é muito parecida — analisa Valpassos.
Visconti lembra ainda que não existe um correlação direta entre inadimplência e o limite de tempo para pagar. Mas volta aos valores das prestações para analisar a questão:
— Alguém que precise esticar em cinco anos o prazo do financimento para diminuir tão pouco a sua prestação está no limite de sua capacidade de pagamento. E se houver muita gente nesse limite, a probabilidade de inadimplência aumenta. Mas nesses casos, o banco nem deveria dar esse crédito.

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