Verifique o posicionamento das telhas e sua resistência no momento da instalação do jardim | Foto: Divulgação
Verifique o posicionamento das telhas e sua resistência no momento da instalação do jardim | Foto: Divulgação


Antes de preocupar-se com a capacidade das telhas, no entanto, é preciso definir a complexidade do sistema. Quanto mais terra for ser usada e maior for o tamanho da planta, mais pesada ficará a estrutura. Além disso, os modelos com irrigação interna –lâminas d’água presentes debaixo da forração vegetal – chegam a exercer uma sobrecarga de 200 kg sobre o m². Estruturas verdes com forrações grossas, destinadas ao uso de plantas maiores, também são pesadas e podem representar 300 kg de sobrepeso.

“Ao escolher um modelo de cobertura verde mais pesado, o ideal é retirar o telhado antigo, que não aguentará a carga extra, impermeabilizar a laje e adaptar o sistema verde”, afirma João Manuel Feijó, diretor da Ecotelhado.

Durante a escolha do melhor produto para fazer a impermeabilização, os especialistas alertam sobre a necessidade de analisar o tamanho da área. Locais grandes e sem muitos recortes podem receber mantas asfálticas pré-fabricadas, mas é bom lembrar que sua aplicação deve ser feita em altas temperaturas (com a ajuda de um maçarico) e que não há liga com madeira. Desse modo, opções como mantas vulcanizadas ajudam, pois têm encomenda sob medida. Já em áreas menores, o ideal é usar impermeabilizantes líquidos, como o poliuretano, que são fáceis de aplicar, não deixam falhas nas emendas e oferecem praticidade caso o local seja bastante recortado.
Se for colocado sobre a laje, deve-se ter cuidado com a impermeabilização do local | Foto: Divulgação
Se for colocado sobre a laje, deve-se ter cuidado com a impermeabilização do local | Foto: Divulgação


Outro aspecto que merece destaque na hora de transformar a cobertura tradicional em verde é perceber a inclinação do telhado. Como haverá necessidade de manter o jardim, o que inclui regas e podas periódicas, não é indicado adaptar o sistema em telhados com inclinação superior a 30º. “Locais com grande declive dificultam a instalação e, muitas vezes, desperdiçam uma possível área de lazer”, diz Feijó.

Cuidados e novas possibilidades

Durante a escolha da cobertura verde, não se pode esquecer do tipo de planta que será utilizado. Segundo os consultores, as de grande porte e raízes profundas, como a figueira, flamboyant, salgueiro-chorão e o abacateiro, exigem muitos cuidados e boa quantidade de terra. Logo, as melhores espécies são aquelas resistentes à falta de água e insolação intensa. tais como seduns, rabo de gato, cambará, clúsia, orelha de rato e saião.

“Telhados verdes exigem plantas de baixa estatura, que cresçam rápido e sejam adaptadas ao clima do local”, diz Maria Solange Gurgel de Castro Fontes, professora do departamento de arquitetura, urbanismo e paisagismo da Unesp Bauru. “O sistema também pedirá um controle de irrigação, caso as chuvas não aconteçam com frequência”, afirma.

Mas a cobertura sustentável não é voltada exclusivamente ao telhado da casa. Além dele, locais como a varanda também podem se transformar em boas alternativas para trazer a natureza à decoração. O importante é que a área seja aberta e receba luz do sol e água da chuva. Quanto à estrutura, não há necessidade de reforço, pois as varandas aguentam, em média, cargas de 200 kg por m², o que torna viável a aplicação do sistema.

A área externa também pode receber diversas alternativas verdes além do telhado ecológico. Jardins verticais e coberturas de trepadeiras são boas opções e dão novos ares às paredes da varanda. Mas, se o jardim ainda não estiver completo, nada melhor do que uma pequena horta com ervas e temperos para harmonizar o cantinho verde da casa.

As informações são de Bruna Bessi, do IG