Segundo especialistas, o principal motivo disso é a forte alta dos últimos anos, que teria levado os valores dos imóveis ao limite
Apesar da expectativa de que o mercado imobiliário possa receber parte dos investimentos redirecionados de aplicações financeiras em decorrência da baixa do juro e do estímulo representado pelo prazo maior no financiamento da casa própria, especialistas não preveem grandes saltos nos preços dos imóveis. O principal motivo é a forte alta dos últimos anos, que teria levado os valores ao limite.Do final de 2008 até abril de 2012, os imóveis em Porto Alegre, por exemplo, tiveram valorização superior a 100%, alcançando em alguns bairros 200%. João da Rocha Lima Junior, professor de Real Estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), diz que a supervalorização de preços foi provocada pelo excesso de procura por imóveis, forçada também por especulação do mercado.
Juntamente a isso, houve uma demanda reprimida nos períodos de crise em 2008 e 2009, volume expressivo de capital estrangeiro chegando ao país e aumento dos custos de construção - gerada pela escassez de mão de obra qualificada e alta nos preços dos terrenos. "No momento, não há fator de pressão que justifique novas explosões de preço. Com mais estoque no mercado, a tendência é até um viés de queda momentânea até o final do ano", avalia Lima Junior.
Levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), por exemplo, mostra que o volume de financiamentos para compra e construção de imóveis caiu 7% em abril de 2012 em relação a igual mês de 2011.
O índice de confiança da construção civil, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), também apresentou queda: de 7,8%. "A expansão do crédito imobiliário e a euforia do mercado provocaram uma alta excessiva, acima das condições habituais", lembra Gilberto Cabeda, vice-presidente de comercialização do Sindicato da Habitação do Rio Grande do Sul (Secovi-RS).
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no RS (Sinduscon-RS), Paulo Garcia, há equilíbrio entre a oferta e a demanda. "Colocamos no mercado cerca de 500 unidades novas por mês em Porto Alegre e vendemos exatamente esse volume", compara Garcia, acrescentando que o corte de juros e prazos alongados de financiamento irão aumentar o número de pessoas com potencial de compra no país.

Nenhum comentário:
Postar um comentário