A região mais cara é o Centro, mas a maior valorização ocorreu no Sul da Cidade, como o Xaxim
Nos últimos quatro anos, o preço dos terrenos à venda em Curitiba teve um aumento entre 71% e 105%. A projeção é da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR) para o insumo que tem o maior impacto no custo da construção civil. Essa alta é o reflexo da especulação imobiliária que aconteceu no período, causando distorções no mercado, segundo explicação do presidente da Ademi, Gustavo Selig.
O metro quadrado mais caro da capital fica no Centro, onde a média é de R$ 2 mil por metro quadrado. No entanto, as maiores valorizações ocorreram na região Sul da cidade. No Xaxim, por exemplo, a valorização chegou a 837% e um terreno de 200 mil metros quadrados vendido há 15 anos por R$ 70 mil, custa hoje por volta de R$ 165 mil.
Para Selig, o terreno não pode subir acima do preço do imóvel, fato registrado em alguns casos. “Além disso, um terreno no bairro Água Verde, Batel, Cabral e Alto da XV não pode ter o mesmo preço de outro, com as mesmas área e características, no Pinheirinho ou Xaxim”, exemplifica.
Em um cenário de aumento do porcentual de Volume Geral de Vendas (VGV) para permuta, começando em 15% sobre o valor total do empreendimento e com crescimento de um ponto porcentual ao ano, o custo do terreno registrou alta de 105% no último quadriênio. O cenário foi elaborado considerando a variação do preço do metro quadrado privativo dos apartamentos novos na capital, de dezembro de 2008 a maio de 2012, e o porcentual correspondente ao valor de permuta dos empreendimentos, variando de 15% a 18% do VGV.
Segundo Selig, o momento é de estabilização no preço dos terrenos, seguindo a valorização do mercado de lançamentos, bem como dos porcentuais do VGV destinados à permuta que, em algumas situações, superaram o índice de 18%. “Alguns terrenos já estão voltando para o patamar real de custo, assim como os porcentuais de permuta, até porque muitos destes terrenos ficaram parados. Chegar ao índice máximo de retorno do valor do terreno ao proprietário, somente se a área for extremamente bem localizada e estiver numa região muito valorizada”, diz.
O custo de mão de obra, incluindo remuneração e encargos, tem a segunda maior participação no Custo Unitário da Construção (CUB) na capital paranaense. Estudo realizado pela Ademi/PR, que compreendeu a análise das variações do índice calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/PR) no último quadriênio, prevê um aumento de 45% em maio de 2012, em relação a dezembro de 2008. O presidente da Ademi/PR explica que isso aconteceu em função do aquecimento do mercado, ante a escassez de mão de obra qualificada.
Diante deste cenário, Selig acredita que distribuir os recursos para a formação da própria equipe de trabalho e para a contratação de empreiteiras é uma boa alternativa para equilibrar os gastos, sem perdas na qualidade e agilidade da obra.

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