Preço nos grandes empreendimentos pode chegar a R$ 13 milhões por apartamento à beira-mar
Obras de dimensões astronômicas são a aposta da indústria da construção civil na região de Itajaí, Balneário Camboriú e Camboriú. Se até alguns anos atrás ser dono de um apartamento de frente para o mar já era um luxo, a moda agora são residenciais que reúnem vistas privilegiadas a uma ampla oferta de lazer e serviços.
O grande investimento das construtoras na região coincide com o fortalecimento da economia local
Os terrenos, gigantescos, têm direito a paisagismo que lembra cenários de cinema. E se a ideia é altura, há construções que podem chegar perto do céu.
Os empreendimentos ostentam títulos tão imponentes quanto os projetos. Dona de mais de dois mil edifícios,Balneário Camboriú terá, em breve, o maior arranha-céu, com 66 andares, e o único prédio com marina na América do Sul. Para quem prefere um pouco mais de sossego, também não faltam opções - e em milhares de metros quadrados.
A Praia Brava, em Itajaí, é lar de algumas das construções mais luxuosas da região, com direito, até, à própria reserva de preservação ambiental. Já Camboriú terá, a partir do ano que vem, um condomínio horizontal com cais exclusivos para os lotes e campo de golfe.
Tanto investimento tem destino certo: o público AA, que exige qualidade e pode desembolsar grandes quantias de dinheiro em troca de conforto. Os preços, nos grandes empreendimentos, vão de R$ 750 mil por um lote a R$ 13 milhões por um apartamento de frente para o mar.
"Os valores são altos porque o padrão construtivo é diferente dos outros. O custo de construção chega a ser algumas vezes maior do que o normal", diz Sérgio Branco, gerente de negócios da construtora Procave. A empresa começou a entregar os apartamentos da fase inicial de obras do condomínio Brava Home - o primeiro dos grandes empreendimentos a ser concluído na Praia Brava.
Branco comenta que, no início, os compradores eram investidores interessados nas oportunidades futuras de negócios. Após a entrega das primeiras unidades, a procura também passou a movimentar moradores da região, reflexo da economia aquecida.
O surgimento dos empreendimentos de alto padrão coincide com um período de fortalecimento da economia regional. Em Itajaí, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 700% nos últimos 10 anos, segundo o IBGE. Já Balneário Camboriú se mantém como um dos destinos turísticos mais procurados do Sul do Brasil.
"A oferta de imóveis para pessoas com alto poder aquisitivo valoriza a cidade. Sem contar que são um excelente investimento: há duas décadas, os imóveis têm rendido 20% ao ano", diz Milton Gilmar da Silveira, delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Balneário Camboriú (Creci).
Presidente da construtora Taroii, responsável pela obra do condomínio Bravíssima, na Praia Brava, o empresário Carlos Trossini diz que o mercado de alto luxo tem retorno garantido. O empreendimento tem 330 mil metros quadrados e a proposta de luxo exclusivo à beira-mar. Embora as vendas ainda não tenham começado, as reservas já ultrapassam a oferta de terrenos e apartamentos.
"É um consumidor que está alheio à crise, mantém o poder o aquisitivo e o poder de compra. Muita gente quer desfrutar da gastronomia, do comércio e do lazer da região, mas morar com exclusividade", observa.
Infraestrutura e segurança atraem compradores
Agradar aos exigentes clientes dos empreendimentos milionários demanda um esforço que vai além do uso de materiais de primeira linha e arquitetura harmoniosa.
As grandes construções têm em comum amplas áreas de convivência, ao estilo resort. Em Balneário Camboriú, a diversão ganha ares mais urbanos, com espaços gourmet e pubs, enquanto que, na Praia Brava, o destaque fica para as piscinas intercaladas com o verde das palmeiras - a maioria delas, projetada por premiados paisagistas.
Os atrativos, porém, não são suficientes para convencer os compradores: guaritas, monitoramento eletrônico e até sensores de movimentos na mata que envolve os condomínios estão entre os diferenciais oferecidos quando o assunto é segurança.
No quesito infraestrutura e serviços, são ofertados centros de compras anexos a alguns dos empreendimentos e até a promessa de instalação de uma escola bilíngue, na Praia Brava, para atender a crianças e adolescentes da vizinhança.
"A instalação desses empreendimentos qualifica a região", diz José Carlos Leal, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Itajaí (Sinduscon).
A tendência, segundo ele, é que as grandes construções possam se expandir para outros bairros e cidades da região, conforme a oferta de terrenos nos locais mais badalados for diminuindo - o que deve ocorrer, também, em função das leis de proteção ambiental.
Boa parte dos empreendimentos em construção é alvo de ação civil pública ou inquérito no Ministério Público Federal, que questiona as obras em locais que, em tese, deveriam ser preservados. Responsável pelos processos, o procurador Roger Fabre está em férias e não foi localizado ontem para comentar o caso.

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