quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Evento na França mostrou a arquitetura que provoca surpresas

 Lugar Certo -

Festival de Arquitetura Viva contou com instalações que transformaram o espaço urbano em Montpellier

 (Divulgação/FAV 2012)

A sétima edição do Festival de Arquitetura Viva (Festival des Architectures Vives – FAV), que aconteceu em Montpellier, na França, reafirmou o sucesso internacional que veio na trilha do grande êxito alcançado em 2011. Foram convidadas jovens equipes de arquitetos oriundos da Europa e da América do Norte que apresentaram instalações espaciais interativas em pátios internos e ruas de pedestres, passando pelos principais edifícios do centro da cidade. Com o tema surpresa, explorando o espaço construído e a conexão entre arte e arquitetura, as obras deveriam aguçar outros sentidos e surpreender o público não apenas através da visão. 

Com a instalação “Não perturbe meus círculos” (Ne dérangez pas mes cercles), o vencedor de 2012 foi a arquiteta independente praticante em Berlim Julie Biron. Formado por superfícies de discos, o espaço convida à aproximação com estas formas estáticas e sólidas e, ao mesmo tempo que geram variados efeitos sonoros, os discos vão se alterando à medida que se caminha entre eles, tornando a proposta uma obra vivencial. 

Projetada pelos catalães Erik Herrera Iturat, Cristina Bestraten del Pino e Aina Bigorra Gonzalez, a obra Tournaround é composta por um jardim de flores artificiais que lembram girassóis, em que o núcleo das plantas deu lugar a espelhos circulares que refletem as imagens dos espectadores e os convidam a participar da instalação. O cheiro que vem de flores de lavanda penduradas sobre redes provoca uma maior interação entre os visitantes e a obra, ressaltando a famosa e simbólica espécie típica do sul da França, na instalação Topographie de la Surprise, de autoria dos artistas e arquitetos do coletivo The UrbanB.

 (Divulgação/FAV 2012)
Na obra Le renversement du ciel, assinada pelos arquitetos do estúdio francês Le Bureau des Affaires Scéniques, Suzanne Thoma e Domnine Jobelot, o olhar parece embaralhado, como era a intenção dos autores. Ao olhar para o alto, o público sente uma grande confusão visual através da inversão das fachadas que circundam um pátio interno. No decorrer do dia, de acordo com a posição do sol, o reflexo da luz sobre a instalação metálica Forêt urbaine também se transforma. A ideia é dos arquitetos norte-americanos do estúdio AA64, Phillip Anzalone, Stéphanie Bayard e Will Laufs.

Na instalação Premiere Neige, uma piscina suspensa revestida de pano branco com buracos em sua base cria a impressão de um grande campo nevado quando o visitante adentra na estrutura. O projeto que reverencia a neve é dos arquitetos canadenses do Collectif de la fourchette. Colocando lado a lado retas e curvas, um contraste tão simbólico da arquitetura contemporânea, a obra Smooth Rock, dos franceses do MN-Lab, Gwenole Mary e Arnaud Negre, direciona o olhar pela malha que acompanha o volume branco, colocando em questão a rigidez da geometria. 

Em outra proposta, a sensação inusitada criada por um efeito visual tridimensional é o destaque da Wood Box. O cubo rodeado por placas intertravadas de madeira foi criado pelo Atelier Vecteur, de Montpellier. Uma série de balões prateados de gás hélio, amarrados sobre cubos de madeira, caracteriza o ByeByeBallon, obra de Samuel Berthomeau e Lucie Mothes, de Bordeaux, na França, que traz à memória lembranças da infância. O público é convidado a trocar os caixotes de lugar, quando surgem diferentes cenários, brilhos e reflexos. 

 (Divulgação/FAV 2012)
Coberta com papéis que reproduzem o cenário que há atrás, a estrutura de Invitation à la levitation parece transparente. Assim, os artistas Cyril Rheims e Mathieu Collos Pérols deram as condições para que a cadeira, sobre ela, pareça flutuar. Já a instalação Reframe, dos arquitetos holandeses Adam Scales, Pierre Berthelomeau e Paul van den Berg, ressalta a ilusão de ótica. Uma perspectiva de aparência infinita, na verdade em uma distância menor que três metros, é criada por molduras brancas dispostas com recortes distintos alinhados de maneira a proporcionar essa impressão. Em Cité Surprise, Cité Surprenante, dos espanhóis Javier Pena Ibañez e Cristina Sanchez Algarra, uma série de caixotes de papelão pendurados oferecem, dentro de cada cubo, imagens de lugares pouco conhecidos de Montpellier que, conforme o visitante se afasta ou aproxima, sofrem efeitos visuais que lembram um caleidoscópio. 

As intervenções colocadas em espaços urbanos exuberantes, que incluíam onze hotéis, transformaram a cidade durante o mês de realização, em junho deste ano, em um real polo criativo que forneceu aos espectadores uma oportunidade única de explorar os cenários arquitetônicos de uma maneira diferente e inovadora.

ByeByeBallon, por Samuel Berthomeau e Lucie Mothes, de Bordeaux, França - Divulgação/FAV 2012       Cité Surprise, Cité Surprenante, por Tri-Oh! ateliers (Javier Peña Ibáñez e Cristina Sánchez Algarra), de Madri - Divulgação/FAV 2012

Forêt urbaine, por AA64 (Phillip Anzalone, Stéphanie Bayard, Will Laufs), de Nova York - Divulgação/FAV 2012      Reframe, por Adam Scales, Pierre Berthelomeau e Paul van den Berg, de Roterdã, Países Baixos - Divulgação/FAV 2012
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