Festival de Arquitetura Viva contou com instalações que transformaram o espaço urbano em Montpellier
A sétima edição do Festival de Arquitetura Viva (Festival des Architectures Vives – FAV), que aconteceu em Montpellier, na França, reafirmou o sucesso internacional que veio na trilha do grande êxito alcançado em 2011. Foram convidadas jovens equipes de arquitetos oriundos da Europa e da América do Norte que apresentaram instalações espaciais interativas em pátios internos e ruas de pedestres, passando pelos principais edifícios do centro da cidade. Com o tema surpresa, explorando o espaço construído e a conexão entre arte e arquitetura, as obras deveriam aguçar outros sentidos e surpreender o público não apenas através da visão.
Com a instalação “Não perturbe meus círculos” (Ne dérangez pas mes cercles), o vencedor de 2012 foi a arquiteta independente praticante em Berlim Julie Biron. Formado por superfícies de discos, o espaço convida à aproximação com estas formas estáticas e sólidas e, ao mesmo tempo que geram variados efeitos sonoros, os discos vão se alterando à medida que se caminha entre eles, tornando a proposta uma obra vivencial.
Projetada pelos catalães Erik Herrera Iturat, Cristina Bestraten del Pino e Aina Bigorra Gonzalez, a obra Tournaround é composta por um jardim de flores artificiais que lembram girassóis, em que o núcleo das plantas deu lugar a espelhos circulares que refletem as imagens dos espectadores e os convidam a participar da instalação. O cheiro que vem de flores de lavanda penduradas sobre redes provoca uma maior interação entre os visitantes e a obra, ressaltando a famosa e simbólica espécie típica do sul da França, na instalação Topographie de la Surprise, de autoria dos artistas e arquitetos do coletivo The UrbanB.
Na instalação Premiere Neige, uma piscina suspensa revestida de pano branco com buracos em sua base cria a impressão de um grande campo nevado quando o visitante adentra na estrutura. O projeto que reverencia a neve é dos arquitetos canadenses do Collectif de la fourchette. Colocando lado a lado retas e curvas, um contraste tão simbólico da arquitetura contemporânea, a obra Smooth Rock, dos franceses do MN-Lab, Gwenole Mary e Arnaud Negre, direciona o olhar pela malha que acompanha o volume branco, colocando em questão a rigidez da geometria.
Em outra proposta, a sensação inusitada criada por um efeito visual tridimensional é o destaque da Wood Box. O cubo rodeado por placas intertravadas de madeira foi criado pelo Atelier Vecteur, de Montpellier. Uma série de balões prateados de gás hélio, amarrados sobre cubos de madeira, caracteriza o ByeByeBallon, obra de Samuel Berthomeau e Lucie Mothes, de Bordeaux, na França, que traz à memória lembranças da infância. O público é convidado a trocar os caixotes de lugar, quando surgem diferentes cenários, brilhos e reflexos.
As intervenções colocadas em espaços urbanos exuberantes, que incluíam onze hotéis, transformaram a cidade durante o mês de realização, em junho deste ano, em um real polo criativo que forneceu aos espectadores uma oportunidade única de explorar os cenários arquitetônicos de uma maneira diferente e inovadora.

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