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Casa no Vale das Araras
Nova Lima (MG)
A cidade de Nova Lima, em Minas Gerais, é pontuada de projetos residenciais contemporâneos, principalmente em condomínios fechados. A casa desenhada por Bruno Santa Cecília, do escritório mineiro Arquitetos Associados, é exemplo marcante da boa arquitetura que tem predominado na cidade.
Localizada no Vale das Araras, a residência é escalonada no lote em declive e se distribui em dois pavimentos à partir da rua de acesso principal, de maneira a minimizar a interferência nas áreas remanescentes de vegetação. “O princípio da implantação foi gerar o menor impacto possível no terreno”, explica o arquiteto.

Foto 16 de 28 - As salas de jantar e estar têm piso de pedra portuguesa polida na casa em Nova Lima (MG). A residência de 297 m² foi projetada por Bruno Santa Cecília, dos Arquitetos Associados. O mobiliário foi todo definido pelo casal de proprietários, assim como o desenho do vidro serigrafado (à esq.) Leonardo Finotti/UOL
A organização espacial seguiu estritamente o programa arquitetônico e definiu três conjuntos de necessidades com conformações diferentes para essa residência de 297 m².
Foto 16 de 28 - As salas de jantar e estar têm piso de pedra portuguesa polida na casa em Nova Lima (MG). A residência de 297 m² foi projetada por Bruno Santa Cecília, dos Arquitetos Associados. O mobiliário foi todo definido pelo casal de proprietários, assim como o desenho do vidro serigrafado (à esq.) Leonardo Finotti/UOL
A organização espacial seguiu estritamente o programa arquitetônico e definiu três conjuntos de necessidades com conformações diferentes para essa residência de 297 m².
1ª parte: área social
A porção social da casa volta-se para a rua - com piso localizado quase no mesmo nível do passeio – e é marcada por uma grande cobertura branca e transversal que parte de um dos limites laterais da construção, envelopa o volume construído e se encerra um piso abaixo, resguardando a parte íntima da casa.
Terraços circundam grande parte desse pavimento no nível da rua, revestidos por pedras portuguesas brutas, que entram polidas na casa e se espalham nas áreas de estar, jantar e cozinha. O exterior e o interior fundem-se através da continuidade do piso em uma clara proposta de integração e os limites, fundamentalmente, só são dados por divisórias de vidro do chão ao teto.
- Fachada posterior da casa em Nova Lima (MG), desenho salienta o pavimento dos quartos (inferior)
Para complementar a fluidez do espaço, as paredes de alvenaria - assim como a estrutura de concreto aparente - não chega a tocar a cobertura, que segue livre sem interferências.
2ª parte: serviços
O segundo conjunto do programa arquitetônico constitui um núcleo de serviços localizado na porção lateral da casa e em um nível intermediário, entre os pavimentos térreo e inferior.
Formado por dormitório de empregada e lavanderia, essa parte da casa se volta a um pequeno jardim. De acordo com Bruno, a disposição dos planos horizontais e verticais da residência acompanha a topografia do terreno de tal maneira que a vegetação está sempre presente, mesmo que por meio de vistas.
3ª parte: área íntima
O acesso ao piso inferior, dos dormitórios, é feito através de uma escada de madeira que desemboca uma sala íntima, com aberturas para a vegetação presente nos fundos da casa.
Nesse piso, marcado por um assoalho de madeira, organizam-se linearmente dois dormitórios com banheiro comum e uma suíte máster. Todos os espaços estão ligados a um terraço formado por uma cobertura e um piso projetados e voltados para o jardim.
Assim, as extremidades superior e inferior do terraço criam ainda um enquadramento em formato de caixa que destaca todo o volume pintado de vermelho. Segundo o arquiteto, o projeto faz referência a duas obras brasileiras assinadas por grandes nomes: a Casa das Canoas, de Oscar Niemeyer (1953), e a Residência em Catanduva, de Paulo Mendes da Rocha (1979). Em ambas, a topografia define e guia o desenho dos espaços. (Simone Sayegh, do UOL, em São Paulo)

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