quarta-feira, 25 de julho de 2012

Grupo Pão de Açúcar começa a lucrar com imóveis

Exame - 

Alexandre Vasconcelos foi nomeado CEO da nova divisão, que deve trazer resultados complementares ao negócio de varejo


Pão de Açúcar: investimento em imóveis já dá resultado (Vanderlei Almeida/AFP)

A GPA Malls & Properties, área do Grupo Pão de Açúcar que administra os ativos imobiliários da rede de varejo, começa a trazer retorno pela primeira vez na história da companhia: 98 milhões de reais em receita foram registrados no segundo trimestre deste ano. Como resultado, o grupo promoveu Alexandre Vasconcelos de diretor-geral a CEO da divisão.

“Cada loja aberta pelo Pão de Açúcar tem um potencial imobiliário imenso para ser explorado”, afirmou Enéas Pestana, presidente do Grupo Pão de Açúcar, durante a teleconferência de resultados da empresa hoje pela manhã. “Daqui para frente um dos nossos focos será buscar maneiras de explorar o nosso ativo imobiliário para que isso possa trazer resultados recorrentes para o grupo”, disse ele.

A divisão fechou contratos de permuta de terrenos com as construtoras Cyrela, RFM e Helbor para construção de três imóveis comercial e residencial em um total de Valor Geral de Vendas (VGV) de 796,2 milhões de reais. O maior deles, em parceria com a Cyrela, tem lançamento previsto para agosto e um VGV de 500 milhões de reais. Trata-se de um empreendimento com 399 apartamentos residenciais e 630 escritórios, localizado na avenida Brigadeiro Faria Lima, na capital Paulista.

“Estávamos trabalhando na nova divisão há cerca de quatro anos e, como o retorno é bem diferente ao de nosso negócio de varejo, nos estruturamos muito bem para começar a dar resultados frequentes daqui para frente”, afirma Vasconcelos.

Impacto nos resultados - O lucro do grupo no segundo trimestre ficou em 255 milhões de reais ante ganho de 91 milhões de abril a junho de 2011 – o lucro, excluído os ganhos com ativos imobiliários, ficaria em 159 milhões de reais.

O ebtida do grupo, de 692 milhões de reais sobe para 787 milhões de reais com a inclusão da divisão de permutas de terrenos. A geração de caixa ficou praticamente em linha com o esperado pelo mercado, segundo pesquisa da Reuters com oito analistas. A margem ebitda no período ficou praticamente estável, passando de 5,7 para 5,8%, excluindo resultados da divisão GPA Malls & Properties, que administra os ativos imobiliários da rede de varejo. Com os ativos imobiliários, a margem fica em 6,5%.

A companhia apurou uma receita líquida de vendas consolidada de 12,037 bilhões de reais no segundo trimestre, crescimento de 6,8% no comparativo anual e ligeiramente abaixo do esperado por analistas, de faturamento de 12,122 bilhões de reais.

Investimentos mantidos - Pestana deixou claro que os 1,8 bilhão de reais de investimentos previstos para este ano serão mantidos, especialmente no que se refere a crescimento de área de vendas. No primeiro semestre do ano passado, o grupo investiu 111 milhões de reais e no mesmo período deste ano 232 milhões de reais. “O que mostra nossa estratégia de concentrar esforços em uma expansão orgânica”, afirma Pestana.

Na área alimentar, a companhia encerrou a transformação de 65 lojas mini-mercado e agora foca na abertura de outas 19 lojas no próximo trimestre e outras 30 de outubro a dezembro – serão até 55 lojas no ano neste modelo. “Esse modelo de negócio tem se mostrado uma ótima alternativa em especial nas grandes cidades”, afirma José Roberto Tambasco, vice-presidente do GPA. Segundo Tambasco, o grupo ainda deve abrir, em agosto, um quarto hipermercado da rede, superando os planos do início do ano.

Na divisão Assaí, a margem ebitda passou de patamares de 1,5% para 3,8% neste período, reflexo de esforço da divisão em reduzir custos, adequar mix de produtos e lojas para atender clientes jurídicos - comerciantes. “Com isso, nosso ebtida evoluiu de 14 para 40 milhões de reais no segundo trimestre, tivemos crescimento de 10% nas vendas das mesmas lojas e uma redução de custo de 26%”, afirmou Belmiro Gomes, diretor de Atacado Autosserviço do grupo.

De acordo com Belmiro, a divisão saiu de um prejuízo para um lucro de 34 milhões de reais em um ano. O novo posicionamento na parte de expansão do Assaí também está seguindo as mudanças e sendo feito na abertura de lojas com área um pouco maior, que requer menor uso de mão-de-obra.

ViaVarejo - Na ViaVarejo, divisão que inclui Casas Bahia e Ponto Frio, uma loja piloto baseada no novo posicionamento de marca da divisão serviu como base para a transformação de outras 21 lojas da rede. “Com um novo mix de produtos, somos hoje o maior vendedor de tela LCD e LED por causa do novo conceito das lojas”, afirmou Raphael Klein, diretor presidente da empresa. Outras 60 lojas ainda devem ser abertas este ano.

Na Nova Pontocom, o crescimento do negócio ficou em 10%, incluindo vendas com atacado, e a divisão atingiu um patamar de receita de 4 bilhões de reais, tamanho de toda Globex quando incorporada ao GPA, em 2009, segundo German Quiroga, presidente executivo da Nova Pontocom. A briga por preço em um cenário mais competitivo, como o atual, não será uma opção. “Estamos preparados para competir, mas escolhemos pela rentabilidade aos acionistas”, diz ele.
Blog Widget by LinkWithin

Nenhum comentário:

Postar um comentário